A memória por vezes tende a enganar-nos. Isto não é nenhuma metáfora nem nada de extraordinário, simplesmente a nossa mente pode ser facilmente influenciável quando nós não temos uma recordação suficientemente clara de um acontecimento.
Tendo isto em conta, a memória pode ser modificada facilmente. Por exemplo, ao relembrar um natal passado em família, por obra da imaginação facilmente nos aparece a imagem da lareira acesa, mesmo que nesse respectivo natal, ela estivesse apagada. De qualquer forma este é um erro normal, onde é apenas alterado um pormenor da recordação, é um erro comum e aparentemente não é grave. Mas pode ser. Num crime, qualquer pormenor deste tipo pode ser relevante, por isso é que convém haver varias testemunhas, porque mesmo que se queira dizer a verdade, uma pessoa não pode garantir de que tudo o que se lembra seja realmente a verdade. Bom mas a mente nestes casos é apenas influenciada pela imaginação e pelo o tempo que já decorreu desde o acontecimento relembrado e pouco mais, mas a mente pode ser influenciada também por outras coisas.
A hipnose por exemplo, pode ser suficientemente forte para modificar o passado inteiro de uma pessoa na sua mente. Porque nos deixa num estado onde o que influenciado é o nosso sub consciente que por sua vez é mais vulnerável que o consciente. Assim se nos quiserem implantar uma ideia na nossa mente, é fácil através deste método. Podemos observar este processo no filme 'Trance' em que uma Psicologa faz com que ela desapareça da memória do namorado ao aperceber-se de que ele esta a ficar obcecado por ela. http://www.youtube.com/watch?v=rvTW1JecmZo
Também podemos observar este processo no filme 'Inception' onde são implantadas ideias através do subconsciente mas em vez de ser por hipnose, são implantadas por sonhos. http://www.youtube.com/watch?v=66TuSJo4dZM
Este método dos sonhos já é mais complicado de acontecer, tendo em conta que no filme é um processo feito com uma determinada maquina da qual a ciência ainda não conseguiu alcançar mas, eu acredito que este método seja possível para as pessoas que tem um desenvolvimento mental maior do que a maioria das pessoas, como os budas por exemplo.
Dito tudo isto, percebemos que realmente a memoria pode ser influenciada ao ponto de muitas coisas de que nos lembramos sejam mentira.
sábado, 4 de janeiro de 2014
quarta-feira, 1 de janeiro de 2014
O mito da homofobia
Durante uma conversa recente com uma amiga de muitos anos, estivemos a discutir as origens da homofobia. Um fenómeno por si estranho. Muitos parecem concordar que esta teve origem com a propagação de ideais cristãos, no entanto, nos tempos que correm poucas pessoas parecem ainda ter fé nesta religião aparte das gerações mais velhas. Mas a homossexualidade continua ainda a ser considerada errada entre muitos jovens. Porque?
Ao questionarmos este fenómeno a maioria das pessoas dar-nos-ão quase sempre as mesmas respostas padrão, repetidas uma e outra vez até a exaustão e muito raramente questionadas: "não é natural, não é normal", "não permite a propagação da espécie", "é uma doença", "é nojento", "não quero que se atirem a mim", entre imensas várias outras.
Mas sinceramente, se realmente acreditam naquilo que estão a dizer, parecem-me ser razões extremamente pequenas e inofensivas para virem a odiar alguém ou a um grupo por estas. Por vezes parece-me ser quase um "ódio" desonesto e forçado, um mero acto.
Não acredito que nenhum ser humano tenha uma propensão natural para a homofobia, esta é um valor adquirido e transmitido de geração em geração, é algo aprendido e não parte directamente do sujeito.
Sempre vi este estranho acontecimento como uma espécie ou variante de bullying.
A vítima pouca culpa tem aparte do facto de ser uma minoria que não tem como se defender e talvez ser um pouco diferente do considerado normativo. O simples facto de estar em desvantagem torna-a um alvo fácil e desejável.
E poucos são os que defendem as mesmas com medo de entrar eles também na mira dos agressores, algo que vemos frequentemente em casos de bullying, o silêncio destes contribuí para a perpetuação deste comportamento.
Estranhamente, é socialmente aceitável e visto como a norma ser homofóbico, e crimes de ódio contra a comunidade homossexual são frequentemente aplaudidos ou mesmo vistos como algo engraçado e cómico.
O agressor ( fisicamente ou psicologicamente) sente-se engrandecido pelo suporte da comunidade que raramente o questionará com medo que a sua heterossexualidade seja também questionada, e poderá mesmo até vir a sentir-se como uma espécie de justiceiro, vendo o seu acto como um favor à sociedade.
A sociedade, no entanto, nunca pediu-lhe tal favor ( pelo menos não honestamente ), mas também não parece ter a coragem suficiente para mencionar este facto.
É lamentável que uma forma de pensar tão tóxica seja ainda tão prevalecente nos dias que correm quando esta poderia ser tão facilmente solucionada se simplesmente não tivéssemos tanto medo da opinião pública e conseguíssemos defender-nos uns aos outros quando a ocasião o requeresse, e é também irónico que o nosso próprio desejo de sermos aceites prejudique quem verdadeiramente necessita ser aceite.
Apple e o Fetichismo da Mercadoria
Karl Marx mostra na sua obra "O Capital" que a mercadoria que produzimos quando acabada perde totalmente o seu valor real de venda, perde-se o conceito de trabalho materializado num artigo e este passa a ter um valor de venda infundado e irreal devido ao valor simbólico que é dado a determinado artigo. A mercadoria acaba quase por ganhar vida própria, ao objecto feito pelo homem ou produzido pela natureza, atribui-se um poder quase que sobrenatural e é prestado culto.
O objecto perdendo o seu valor real e representando algo, quer seja cultural, social, estatuto, ganha assim uma nova conotação, um novo valor exacerbado que não corresponde aquilo que realmente é.
Um exemplo disso, é a marca Apple de Steve Jobs.
Uma marca que cresceu e se tornou das mais fortes e influentes do mundo, e que tudo o que produz é adorado por milhões de consumidores em todo o mundo, que se submetem às maiores loucuras para adquirir um produto que, apesar dos seus preços extremamente elevados, e´ desejado e tornado quase uma necessidade para esses consumidores.
Esta marca alcançou um certo estatuto social, em que já não é o produto que realmente interessa mas sim o que ele representa. Steve Jobs conseguiu que os seus produtos fossem sinónimo de uma atitude mais moderna e vanguardista, preocupada com o design e estética.
O caso do Iphone é o mais flagrante.
De todo um variado leque de opções de diversas marcas de telefones, o Iphone tem sido a principal escolha. Com um preço exageradamente alto para um mero objecto de telecomunicações, este tornou-se quase um objecto "must-have" de qualquer pessoa. Conseguiu que apesar de outras marcas apresentarem opções por vezes mais baratas e com melhores funcionalidades, o Iphone é o principal escolhido pois tal como disse anteriormente, não é por ser melhor, é por representar todo um novo estatuto social.
A Apple é conhecida pela sua capacidade de inovação. Esta é a marca que faz as pessoas passarem 2, 3 dias numa fila para adquirir um produto Apple e poderem dizer: “eu comprei o primeiro iPhone 4 do mundo”. A Apple é conhecida por criar não apenas tecnologia, mas objectos de desejo.E objetos de desejo são o sonho de todo capitalista. Os objectos de desejo trazem em si a aura que esconde o que realmente a mercadoria é, que esconde que aquele objecto pelo qual muitos pagam centenas de euros, não é mais nada para além de um amontoado de peças que funcionam sob comando de um software, tudo produzido a custos ridiculamente mais baixos do que aqueles que chegam ao consumidor. Os objectos de desejo escondem que aquela mercadoria é produto das relações sociais, relações sociais que muitas vezes não são harmoniosas, mas resultado de formas de dominação e exploração. Os objetos de desejo produzem o fetichismo da mercadoria. Ao consumidor não interessa quanto paga, se está a ser enganado pela sociedade capitalista ou não, apenas lhe interessa obter o produto.
O objecto perdendo o seu valor real e representando algo, quer seja cultural, social, estatuto, ganha assim uma nova conotação, um novo valor exacerbado que não corresponde aquilo que realmente é.
Um exemplo disso, é a marca Apple de Steve Jobs.
Uma marca que cresceu e se tornou das mais fortes e influentes do mundo, e que tudo o que produz é adorado por milhões de consumidores em todo o mundo, que se submetem às maiores loucuras para adquirir um produto que, apesar dos seus preços extremamente elevados, e´ desejado e tornado quase uma necessidade para esses consumidores.
Esta marca alcançou um certo estatuto social, em que já não é o produto que realmente interessa mas sim o que ele representa. Steve Jobs conseguiu que os seus produtos fossem sinónimo de uma atitude mais moderna e vanguardista, preocupada com o design e estética.
O caso do Iphone é o mais flagrante.
De todo um variado leque de opções de diversas marcas de telefones, o Iphone tem sido a principal escolha. Com um preço exageradamente alto para um mero objecto de telecomunicações, este tornou-se quase um objecto "must-have" de qualquer pessoa. Conseguiu que apesar de outras marcas apresentarem opções por vezes mais baratas e com melhores funcionalidades, o Iphone é o principal escolhido pois tal como disse anteriormente, não é por ser melhor, é por representar todo um novo estatuto social.
A Apple é conhecida pela sua capacidade de inovação. Esta é a marca que faz as pessoas passarem 2, 3 dias numa fila para adquirir um produto Apple e poderem dizer: “eu comprei o primeiro iPhone 4 do mundo”. A Apple é conhecida por criar não apenas tecnologia, mas objectos de desejo.E objetos de desejo são o sonho de todo capitalista. Os objectos de desejo trazem em si a aura que esconde o que realmente a mercadoria é, que esconde que aquele objecto pelo qual muitos pagam centenas de euros, não é mais nada para além de um amontoado de peças que funcionam sob comando de um software, tudo produzido a custos ridiculamente mais baixos do que aqueles que chegam ao consumidor. Os objectos de desejo escondem que aquela mercadoria é produto das relações sociais, relações sociais que muitas vezes não são harmoniosas, mas resultado de formas de dominação e exploração. Os objetos de desejo produzem o fetichismo da mercadoria. Ao consumidor não interessa quanto paga, se está a ser enganado pela sociedade capitalista ou não, apenas lhe interessa obter o produto.
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