quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Apple e o Fetichismo da Mercadoria

Karl Marx  mostra na sua obra "O Capital" que a mercadoria que produzimos quando acabada perde totalmente o seu valor real de venda, perde-se o conceito de trabalho materializado num artigo e este passa a ter um valor de venda infundado e irreal devido ao valor simbólico que é dado a determinado artigo. A mercadoria acaba quase por ganhar vida própria, ao objecto feito pelo homem ou produzido pela natureza, atribui-se um poder quase que sobrenatural e é prestado culto.
O objecto perdendo o seu valor real e representando algo, quer seja cultural, social, estatuto, ganha assim uma nova conotação, um novo valor exacerbado que não corresponde aquilo que realmente é.
Um exemplo disso, é a marca Apple de Steve Jobs.
Uma marca que cresceu e se tornou das mais fortes e influentes do mundo, e que tudo o que produz é adorado por milhões de consumidores em todo o mundo, que se submetem às maiores loucuras para adquirir um produto que, apesar dos seus preços extremamente elevados, e´ desejado e tornado quase uma necessidade para esses consumidores.
Esta marca alcançou um certo estatuto social, em que já não é o produto que realmente interessa mas sim o que ele representa. Steve Jobs conseguiu que os seus produtos fossem sinónimo de uma atitude mais moderna e vanguardista, preocupada com o design e estética.
O caso do Iphone é o mais flagrante.
De todo um variado leque de opções de diversas marcas de telefones, o Iphone tem sido a principal escolha. Com um preço exageradamente alto para um mero objecto de telecomunicações, este tornou-se quase um objecto "must-have" de qualquer pessoa. Conseguiu que apesar de outras marcas apresentarem opções por vezes mais baratas e com melhores funcionalidades, o Iphone é o principal escolhido pois tal como disse anteriormente, não é por ser melhor, é por representar todo um novo estatuto social.
A Apple é conhecida pela sua capacidade de inovação. Esta é a marca que faz as pessoas passarem 2, 3 dias numa fila para adquirir um produto Apple e poderem dizer: “eu comprei o primeiro iPhone 4 do mundo”. A Apple é conhecida por criar não apenas tecnologia, mas objectos de desejo.E objetos de desejo são o sonho de todo capitalista. Os objectos de desejo trazem em si a aura que esconde o que realmente a mercadoria é, que esconde que aquele objecto pelo qual muitos pagam centenas de euros, não é mais nada para além de um amontoado de peças que funcionam sob comando de um software, tudo produzido a custos ridiculamente mais baixos do que aqueles  que chegam ao consumidor. Os objectos de desejo escondem que aquela mercadoria é produto das relações sociais, relações sociais que muitas vezes não são harmoniosas, mas resultado de formas de dominação e exploração. Os objetos de desejo produzem o fetichismo da mercadoria. Ao consumidor não interessa quanto paga, se está a ser enganado pela sociedade capitalista ou não, apenas lhe interessa obter o produto.