segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Rant sobre a era da Informação

Estamos actualmente no ano de 2014,  quantos de nós têm como primeira reacção logo pela manhã ao acordar ligar o computador ou ver quem nos contactou no telemóvel, mesmo antes sequer de irmos comer ou vestir-nos.
Chega a ser impensável para alguns de nós inclusive, estarmos sem o nosso precioso telemóvel ou sem o o tão útil computador portátil.
A aquisição deste tipo de aparelhos é até dada como garantida pela sociedade que nos rodeia, qualquer pessoa assumirá que tens um até o contrário ser provado.
O próprio facto de termos que utilizar computadores para trabalhos da faculdade é uma excelente prova disto, convido-vos a terem o vosso computador avariar na última semana do semestre ( falo por experiência própria, não é agradável ).
O conforto que estes objectos nos trazem para a nossa vida diária e a velocidade com que eventos podem ser planeados, trabalhos realizados, um livro escrito, e até pagamentos de contas efectuados tornam já quase impensável viver sem estes.
Dir-se-ia que o mundo exige até de nós, que possuamos estas coisas.
Sem elas somos deixados para trás, o mundo move-se a uma velocidade frenética que seria ímpossivel de atingir sem recorrermos a estas ferramentas e não mostra sinais de abrandar brevemente.
Todas estas razões tornam-nos extremamente dependentes destes objectos, eles quase possuem-nos em vez do contrário ser verdade para não mencionar o quão delicadas as nossas vidas são, tão dependentes de uma máquina que poderá avariar a qualquer momento sem sinais prévios.
Eu sou uma crente firme no progresso através da tecnologia e vejo-a como algo extremamente positivo e a ser celebrado, mas no entanto não consigo evitar por vezes preocupar-me se não estamos a dar uma dentada maior do que a boca cada vez que o nosso estilo de vida ganha velocidade em resposta a uma nova descoberta ou invenção. Existe a possibilidade de estarmos a bordo de uma montanha russa sem travões.

Festividades "modernas"

As épocas festivas cada vez mais perdem o seu valor. Com a velocidade a que se vive nos dias de hoje tornaram-se apenas um momento de passagem ao longo do ano que roça o sentido de obrigação. Valores como o convivio e a companhia daqueles que são importantes passam a ser trocados pelo stress de encontrar uma prenda dentro do orçamento para satisfazer aquelas pessoas que nos vão rodiar por umas horas.

Vejamos especificamente o caso do natal. Não foi há muito tempo em que as familias realmente se preocupavam em preparar a comida para acompanhar o convivio da noite em vez de a prenda vão comprar, prenda essa que muitas das vezes ao fim de uma semana já nao tem interesse. A ocasião que servia para juntar a familia e apreciar os momentos perto das pessoas que são importantes, tem agora a atenção virada para o consumo em massa.

Numa sociedade em que cada vez mais nos afastamos uns dos outros, em que somos dominados pela publicidade e objectos que nos ajudam a afirmar aquilo que gostariamos de ser, tradições que deviam juntar as pessoas tornam-se vazias e perdem o seu verdadeiro intuito. São poucas as familias que actualmente conseguem manter o verdadeiro espirito destes feriados.

Estas festividades actuais mostram assim a forma como está definida a mentalidade das pessoas tornando-se cada vez mais egoistas, intolerantes e demonstrando a atitude perante as relações humanas. O interesse passa de tentar arranjar e manter algo para simplesmente substituir por algo novo.

"Não faças nada"

- Não sei o que dar ao padrinho da tua irmã este ano… epá e ainda nem fiz “filhoses”. Isto anda esquisito – diz a minha mãe indignada no seu reboliço constante enquanto levanta o testo da panela numa dessas noites pós-natal.
- Não faças nada- respondo-lhe eu, em tanto retoricamente no ímpeto de a parar, de a fazer sentar e deixar as coisas para trás uma vez que seja, para que sinta o bem que faz, para que sinta o agrado do vento numa metáfora à vida; não a critico pela sua educação, nem lhe respondi assim apenas em tom de brincadeira. A conversa prossegue e surge-me na ideia analisar este “não faças nada” que sei que não será ouvido e que tenta inocentemente salvar a minha querida mãe desse flagelo a que ela se auto condenou. Já não sabe viver de outra maneira, apesar de muito se queixar da quantidade imensa de trabalho que tem e da sua azáfama diária … Usa a horta, a gata e uma criação de galinhas jurássicas assustadoras como catarse. Não sei se tenta enganar o destino a que se auto propôs, ou no qual foi caçada.
Este “não faças nada”, na minha esperança salvador dos encantos do trabalho, não sei bem como o tomar. Somos educados desde sempre a trabalhar e somos elogiados quando fazemos um bom trabalho e quando nos dedicamos só a isso e cansamos a vida nessas andanças; morremos com um título digno porque eramos trabalhadores e cumprimos a nossa parte ao fazer muito. Mas isto tudo não é um tanto contraditório? Como o ser humano se sente realizado só por ver obra feita? E se nada fizer se sente num tédio e estagnação, numa inércia e abulia, num estado de morte cerebral, de produtividade zero, um estado vegetativo? Como tem isto uma conotação negativa? Quer dizer, então uma pessoa anda frustrada ao não dedicar tempo a si, ao seu pensamento, e antes prefere pôr-se num rotineiro formigueiro, operária da roda-viva a que nada leva. Ou leva? Isso é uma questão que sempre me interpelou e intrigou… Para quê sempre trabalhar e avançar se tudo acaba, se tudo morre? Do que serviu esse esforço se tudo é efémero? Não sei se será uma visão demasiado romântica e radical, ou um tanto egoísta, visto que por aí mais vale dedicarmo-nos só a nós, ou à boémia já que nada vale a pena, ou ao nos dedicarmos a nada e apenas talvez, atingir uma espiritualidade que assim justifique a nossa existência. Penso que o não fazer nada nos oferece uma desintoxicação da alma, mente, corpo e espírito. Penso que se for para deixar coisas feitas, que estas sejam então em prol do bem-estar, já que de nada vale a pena sermos escravos sem finalidade. Cultivar a mente deveria ter mais importância que ter um emprego.
Serei só uma indignada que procrastina a vida e preguiça a vida, ou uma estoicista/epicurista romântica que acha que as coisas podem mesmo cair do céu. Não sei no que nos tornamos, não procuro saber, procuro esquecer e ignorar para escapar à contaminação. Estou-me a fartar de tanta pergunta e de palavras bonitas mal empregues, talvez tudo deva existir em medida q.b…. eu sei lá!

Já nem sei se este comentário se contradiz pelo próprio processo de fazer o comentário, teve que se fazer, distanciou-se dessa atmosfera desabitada de produção

Complexo de herói

Todos os sentidos do ser humano comportam a possibilidade de sentir prazer. Como tal, o olhar não é excepção. Muito desse prazer de olhar que sentimos é causado pelas características físicas de um outro ser humano. É no entanto fácil de observar que o sexo feminino é aquele que por norma suporta o olhar do sexo oposto, o masculino. O sexo feminino é por ideologia o sexo que melhor funciona como objecto erótico, que mais é explorado nesse sentido, e que mais facilmente consegue cativar um espectador através do prazer do olhar.  
O que me intriga nesta questão do prazer do olhar, a escopofilia, tem a ver com o que terá originado esta ideologia da mulher como símbolo erótico e sedutor. Terá que ver apenas com as suas condições físicas que a tornam atraente (as curvas, os longos cabelos) ou terá raízes na consciência mais profundas associadas a algo mais espiritual?
Esta ideologia do erotismo que a mulher evoca está presente desde os tempos mais antigos. O sagrado feminino e o culto da deusa, símbolos de uma extrema importância no passado, louvavam a mulher e contemplavam-na pela sua capacidade de criar vida. O seu erotismo nascia provavelmente desta sua capacidade geradora (talvez por que nos faz lembrar o afecto e carinho que recebemos primeiramente pela nossa mãe). O sexo passivo e sensível, submetido maioritariamente à vontade do sexo activo, o masculino, ganhava com o culto do sagrado feminino uma função espiritual, que continha ainda o seu trunfo para se conseguirem manifestar num mundo controlado por homens, o seu erotismo e poder de sedução. Porém, nos dias de hoje, a ideologia que é transmitida em filmes e outros meios é a de mulher como objecto de contemplação, com a função cativar os espectadores, e cativar o protagonista, fazendo-o desencadear a acção. Ainda que inicialmente esta seja representada como atraente e excitante, o seu poder é diminuído à medida do filme até ao ponto de servir apenas para estar bonita, para ser olhada, tornando-se propriedade do elemento masculino e sujeitando o seu erotismo a ele apenas.
Esta ideologia que o cinema transmite, do homem como herói que faz desencadear a acção e de mulher como espectáculo representa uma ‘realidade’ onde o sexo feminino parece fazer o sexo masculino querer exaltar-se e realizar acções magníficas e surpreendentes, que consigam equiparar a capacidade da mulher de gerar vida. Parece haver um certo complexo do sexo masculino que desperta uma vontade constante de se exibirem tanto quanto o sexo feminino o faz, numa tentativa de superação deste. De facto, há vários casos na história onde o sexo masculino se sentiu de certa forma ameaçado pelo feminino. Um deles, foi a propósito dos cultos associados ao sagrado feminino, quando a Igreja Católica, controlada por homens, ao temer que as suas crenças fossem desvalorizadas pelo culto da deusa, demonizou vários símbolos relacionados com o feminino de forma a sua imagem ser considerada impura, para que a imagem do homem fosse considerada como a do verdadeiro Criador.
O que pretendo concluir é que embora o sexo masculino esteja satisfeito com a sua posição de carregador do olhar, e o sexo feminino também participe na sua função de suportar o olhar como objecto erótico e de sedução, parece existir um pequeno complexo do sexo masculino face as capacidades sedutoras do sexo feminino que os faz despertar para acções heróicas. Portanto, a indústria cinematográfica sempre ilustra bem este facto, a mulher desencadeia a acção do homem, mas talvez não da forma óbvia esperada. A meu ver, estes actos do sexo masculino desencadeados pelo poder erótico feminino decorrem não só para impressionar o ser feminino representado, mas sim também numa tentativa de o superar. Tal como a igreja católica, também as indústrias parecem por vezes tornar o feminino impuro ao exibirem-no como objecto erótico. No entanto, ao contrário do que se passou quando foram demonizados os símbolos do culto da deusa, já não se poderá responsabilizar o sexo masculino por esta ideologia, tendo em conta que o sexo feminino também participa dela, dando continuidade aos estereótipos incluídos nesta, e sentindo ‘prazer em ser olhada’.

Determinismo em Ramos


A questão do que realmente define liberdade persiste desde o início do pensamento filosófico. Ainda antes de Aristóteles, se perguntavam como poderíamos ser livres, se Deus - ou uma outra entidade divina – já tinha conhecimento do que iria acontecer.

No pensamento contemporâneo, a Ciência tem tomado o papel de Deus na sua essência determinista. Entendemos agora, através desta perspetiva, que o planeta funciona a partir de um dado conjunto de Leis Físicas que controlam o comportamento de todo e qualquer objeto. O ser humano é constituído pelas mesmas substâncias do seu redor, não sendo uma exceção a estas Leis. Tudo o que tomamos por consciente ou racional ilude-nos: cada movimento muscular é um “espasmo” causado por uma súbita voltagem elétrica aplicada no tecido muscular; cada complexo pensamento são meros impulsos elétricos e sinapses químicas que ocorrem no cérebro; tudo aparenta ser mecânico e planeado. A questão que é proposta, agora que existimos no paradigma científico, é: “Como poderemos ser livres se a Ciência já sabe antecipadamente o que irá acontecer?”  Entre Deus e a Ciência, parece não existir muito lugar para o livre-arbítrio.

Para que seja entendido o pensamento de autores que se opõem (intencionalmente ou não) esta visão, irei recuar para o pensamento de Hegel. G.W.F. Hegel propõe a existência do Geist, uma consciência universal, uma unidade que contém uma infinidade de partes que são expressão de toda a existência. Tal pensamento trouxe reverberações teóricas como a ideia de Inconsciente Coletivo de Jung, a de Consciência Coletiva de Durkheim, do Campo Morfogenético de Rupert Sheldrake, entre outros. Farei referência ao último para prosseguir o comentário.

A invenção da máquina a vapor foi altamente polémica, foi extremamente difícil entender qual teria sido o inventor da máquina quando, na mesma semana, cinco pessoas reclamavam terem-na criado. Poderá um tê-la criado e os outros praticado plágio, poderão dois ter criado por coincidência, ou terão todos inventado a máquina?
Rupert Sheldrake, para além de outros fatores, sugere que toda a existência persiste entre duas dimensões espaciais: a física/material e outra, a que chama de Campo Morfogenético. Este espaço é co-habitado por uma enorme diversidade de espectros de consciência que inclui tanto seres vivos como também outros organismos como estrelas, minerais e até pensamentos, todos interligados de forma ramificada. Esta teoria pretende justificar fenómenos de “interligações tipo-telepatia entre organismos”. Tais ligações influenciam inevitavelmente qualquer organismo: um rato num laboratório aprende determinado exercício para uma recompensa e um outro rato, noutro ponto geográfico, cumpre o mesmo exercício sem ter sido ensinado ou tido contacto com o primeiro roedor; o mesmo poderíamos concluir quanto à máquina a vapor e quanto a outros saltos na investigação científica. Somos, na verdade, mais responsáveis do que achamos pelo nosso pensamento, existe sempre o risco de ser apreendido por outro, influenciando-o.
Como referi anteriormente, esta ligação vai além dos organismos vivos. Estamos também ligados com todo o nossos habitat e, tal como células nos constituem a nós, nós constituímos a Terra que, por sua vez é um dos constituintes do Universo. Através do pensamento científico entendemos que todo o nosso redor trabalha mecanicamente pondo em questão se nós também nos comportamos como tal. Na verdade, nós comportamo-nos através de hábitos e, provavelmente também o resto do Universo funciona neste registo. A Ciência toma como dogma que existem invariáveis no Universo, caso da velocidade da luz, no entanto, até esta tem variado – o que tomamos como lapso de calculo – no entanto, poderemos estar bem mais próximos da verdade do que pensamos. A velocidade da luz poderá estabilizar dentro de um determinado valor, dada a habituação do fenómeno a esse mesmo, apesar de tudo, nada a impede de ser inconstante como realmente se tem comprovado. As Teorias Relativistas vêm a demonstrar que as Leis Físicas podem ser quebradas, o que as liberta de estatuto de Lei.

Questiono-me, através dos pensamentos de R. Sheldrake, se a nossa mente, poderá, através do Campo Morfogenético, ter um papel na estabilização dos hábitos da Natureza. Será que a mentalização (fenómeno explorado por práticas filosóficas orientais) de que a Natureza funciona de uma forma mecânica poderá realmente influenciar na habituação dela própria a um determinado comportamento?
E visto que existe uma dicotomia entre cérebro (in praesentia, no mundo material) e mente (in absaentia, num espaço de consciências), será que os fenómenos mentais são consequência destes acontecimentos eletro-químicos no cérebro, como a Ciência sugere, ou será que a mente manifesta-se, como reflexo do pensamento, nessa atividade?

Concluo que a nossa liberdade será bem mais complexa do que uma máquina sistematizada para um dado objetivo. A noção de livre-arbítrio torna-se uma ilusão criada pela mente, o nosso percurso, determina-se pelas influencias a que somos sujeitos entre o Campo Morfogenético.
  

   

Valores Perdidos?

Ao longo dos tempos o mundo foi mudando, tudo começou com a criação do universo, de seguida a evolução de tudo e até do próprio ser humano, e é lógico que se houve uma evolução a nível fisíco também a mentalidade mudou sobre todos os assuntos mediante a época e as condições que o Homem tem vindo a enfrentar.


Deparamo-nos com imensas realidades e ideias que muitos de nós não compreendemos, ou se alguns compreendem é porque nos foi induzida uma forma diferente/nova de pensar nem que seja apenas para agradar à sociendade. Podia dar imensos exemplos, mas um dos que se destaca mais é a moda (a maneira de vestir), muita gente segue as novas tendências, as últimas novidades, de roupas, sapatos, penteados, etc. se alguém se veste de maneira diferente já é motivo de conversa, de revista, de cusquice para os próximos tempos.


É natural que cada país tenha maneiras diferentes de viver e pensar, é natural que os hábitos sejam diferentes de nação para nação, e é ainda mais natural que hajam várias religiões (e não julgo nada nem niguém por isso) era lógico que se eu tivesse sido criada no Paquistão as minhas crenças eram outras, mas tendo nascido em Portugal, paìs que se diz ser cristão, são estas as minhas crenças.


Cresci no seio de uma família cristã e numerosa, e habituada a alguns costumes que foram gradualmente adquiridos através dos ensinamentos e valores que me foram transmitidos pelos meus pais e familiares. E tenho visto que ao longo dos tempos, em especial nesta quadra época natalícia se perderam (por muitas pessoas) estes valores e tradições. No Natal (festa cristã que faz referência ao nascimento de Jesus) já poucas pessoas se interessam com a verdadeira importância desta “festa”, já nem o facto de ir à missa do galo é importante, já nem estar com a família é importante, o que importa agora são os presentes, a comida, o consumismo e vivermos só para nós mesmos, sem nos lembrármos que nesta época tão especial os nosso interesses deveriam ser outros, preocuparmo-nosnão só com o nosso umbigo mas também com o próximo...
Até a ridicula ideia que passam às crianças de um suposto senhor de barbas brancas que trás as prendinhas para os meninos que se portam bem (Pai Natal), enquanto que na minha família (tal como era antigamente) dá-se o devido valor ao presépio e, segundo as nossas crenças é Deus que nos dá as coisas boas, é claro que para os mais novos, e em tempos para mim, também são importantes os presentes ou o simbolismo que eles têm. Deixar o nosso sapatinho perto do presépio e de manhã acordar e ver os presentes, acreditávamos que era o Menino Jesus que trazia as prendas.
Hoje em dia tudo se perde e desvaloriza.


Porque fomos perdendo todos estes valores? Estaremos nós a desvalorizar a nossa cultura? Será que damos o devido valor à famìlia?

Produtos com Som

As maiores industrias musicais que lideram as grandes massas seguem sempre o caminho mais seguro — o produto tem que dar lucro. Em qualquer parte do mundo esse mandamento é seguido com mais ou menos rigor. 
Na Coreia do Sul existem diversas editoras como a JYP ou a YG que são donos de um vasto catálogo de ídolos, usam as suas vozes e as suas imagens que são devidamente elaboradas. Rapazes e raparigas de tenra idade, com características  físicas atrativas, são ensinados a cantar e a dançar durante anos para atingirem o sonho de serem cantores, alguns deles mesmo não sabendo cantar acabam por pertencer a algum grupo que será posteriormente vendido como um produto.
 No ocidente acontece a mesma coisa, parece existir uma liberdade maior mas as regras são as mesmas. 
As grandes editoras querem vender o produto e esse produto é um reflexo de uma parte da sociedade e das culturas que o consomem. O produto é modelado de forma a agradar os diferentes públicos. Estes são obviamente diferentes devido às suas origens culturais, logo o produto apesar de ter muitos pontos de ligação  é aparentemente diferente. Estes pontos de ligação são as estratégias usadas para que o produto seja apresentado como algo que é bom e é de estilo actual. Não é apresentado apenas a Música ou o “som do momento”, apresentam um estilo visual e um padrão de comportamentos, entre outras coisas, que vão estar na moda e que serão logo adoptados pelos crentes. 

Tanto no ocidente como no oriente estas estratégias são bem sucedidas, praticamente ninguém consegue fugir a a elas, mesmo que não queiramos, de uma maneira ou de outra vamos sempre ser influenciados.

Igreja RGB / candeia de luz constante : procurar ir na direcção contrária à indicada


Uma das antigas tiras da última página do jornal Público.

A lei e o ignorante


Vivendo numa sociedade regida por leis, o cidadão conforma-se desde tenra idade com o senso comum que lhe é transmitido pelo “mundo” que o rodeia, desde os seus primeiros anos de vida a sociedade vai incutindo ao pequeno e puro ser uma serie de conceitos e falsos valores pelos quais a sociedade diz-se reger; a criança aprende inicialmente  o que os graúdos dizem estar certo ou errado  e com os primeiros anos de escolaridade vêm as primeiras historias de policias e ladrões  onde é referido que roubar é feio e que os ladrões vão presos por fazerem maldades; e por aqui ficamos pois até aos dezoito anos as preocupações do jovem são muitas e a sociedade tem como prioridade formatar e tornar o individuo passivo, mergulhá-lo no sistema, criar nele hábitos de consumo e padronizar a sua actividade mental, orientando-o para o culto de massas. A lei regente e pelo qual o organismo cultural pune os infractores é para o individuo algo totalmente estranho tal como o código penal segundo qual são julgados os réus; como pode então um cidadão ser punido por uma lei que desconhece existir? tranquilamente o individuo pode ser punido por acções sobre as quais desconhece qualquer tipo de ilegalidade, punido por ser ignorante, como pode uma população ser castigada e condenada por leis que a própria sociedade não se preocupa em ensinar ou transmitir? Não será este um fenómeno surreal digno de um Bestseller? Viva á possibilidade de sair impune o cidadão sem antecedência criminal, pois tal como o conhecimento das leis em vigor que unicamente nos são dadas a conhecer pelo senso comum sabemos também por ele que errar é humano. Tal como as DST [(doenças sexualmente transmissíveis) sei que não é esta a sigla por favor não me julguem] são propagadas em parte pela ignorância, “descuidos” pelo mesmo motivo levam réus a ser condenados.
Ignorância é crime!

“Perdoai-lhes porque não sabem o que fazem…” (LC 23,34)


                                                               
                                                                                           6994

Transumanismo

Com o próximo ano à porta. Não podemos deixar de reflectir o passado e de nos perguntar como será o futuro. Os grandes avanços tecnológicos que têm ocorrido nos últimos anos a um ritmo incrívelmente acelerado aumentam muito as expectativas daquilo que o futuro guarda.

                Com efeito, o Transumanismo é uma filosofia emergente que procura analisar e incentivar o uso da ciência e da tecnologia com a intenção de melhorar a condição humana. Essencialmente, levar os humanos para o seu próximo estágio de evolução. Onde o ser humano estará livre de todas as suas limitações biológicas. Entre a expectativa de vida subir até ao ponto de o ser humano não morrer de velhice, a quaisquer doenças ou deficiências poderem ser fácilmente tratadas. "O transumanismo é a classe de filosofias que buscam nos guiar a uma condição pós-humana." como descrita por Max More. Robin Hanson chega a dizer que a certo ponto, futuras gerações podem deixar de ser o que no dia presente é considerado humano: "a ideia de que, de vários modos, nossos descendentes não irão ser considerados 'humanos'."

                Em suma, a este ponto no tempo, esta ideia de eliminar todas as nossas restrições biológica é ainda nada mais do que um sonho. Um que com cada ano que passa se aproxima um pouco mais de se tornar numa realidade.

Reprodutibilidade em Andy Warhol


O ritmo das transformações da nossa sociedade torna-se a cada dia mais frenético, principalmente pela utilização das novas tecnologias e meios de comunicação. Esta cultura em que somos constantemente "bombardeados" por imagens tem inquestionavelmente as suas bases no pós-guerra, a partir da década de 50, quando o consumo se torna na palavra de ordem e a produção deixa de ser vinculada às necessidades, passando assim a saciar os desejos supérfulos. 
O âmbito artístico procura então dialogar com este contexto, sugerindo a necessidade de produzir também uma arte que esteja em consonância com esta efervescência da produção e consumo. Surge então a Pop Art a partir desta crescente circulação de mercadorias e acima de tudo de imagens produzidas para a sedução dos consumidores. É neste contexto que Andy Warhol, utilizando elementos banalizados e amplamente difundidos pelos media, consegue imprimir nas suas obras uma marca pessoal, sendo possível reconhecê-la entre tantas outras difundidas por esta nova cultura.
No entanto, diante deste constante apelo à reprodução de imagens e de obras de arte, observa-se naturalmente que o seu carácter de unicidade, aquilo a que Walter Benjamin denomina de "aura" se perde bruscamente: “A arte contemporânea será tanto mais eficaz quanto mais se orientar em função de sua reprodutibilidade e, portanto, quanto menos colocar no seu centro a obra original” (Benjamin, 1987, p. 180)
Deste modo, de que forma é que a particularização das obras de Warhol se efectiva, uma vez que a natureza dessas produções é profundamente marcada pelo seu próprio carácter reprodutível?
Um dos principais aspectos desta corrente artística prende-se precisamente com o desejo de criar obras susceptíveis de serem produzidas em grande escala, por forma a serem acessíveis a uma larga parcela da população, reestruturando as relações entre o sujeito e a obra de arte. Neste contexto, a singularidade outrora valorizada pela ritualização de admirar uma obra no seu próprio espaço e tempo é deixada de lado em nome da possibilidade de ser possível adquirir o objecto, trazê-lo para si e particularizá-lo enquanto seu.
Fazer as coisas “ficarem mais próximas” é uma preocupação tão apaixonada das massas modernas como sua tendência a superar o carácter único de todos os factos através da sua reprodutibilidade. Cada dia fica mais irresistível a necessidade de possuir o objecto, de tão perto quanto possível, na imagem, ou antes, na sua cópia, na sua reprodução. (Benjamin, 1987, p. 170)
Assim, encontramos elementos que outrora seriam descartáveis ou banais mas que pelas mãos de artistas como Warhol, são elevados à categoria de objecto artístico. A utilização de marcas ou personalidades amplamente expostas, proporcionava um reconhecimento imediato pela população, associando o sucesso destes produtos à própria imagem das suas obras, valorizando-as. Warhol via-se como sujeito integrante de uma cultura contemporânea pautada pelo consumo de imagens e considerava impossível desvincular a sua arte desse contexto.

As várias séries dedicadas à figura de Marilyn Monroe confirmam a sua tendência: Warhol reproduz uma imagem já amplamente difundida e reconhecida, que apesar de partir sempre da mesma imagem (uma fotografia de Marilyn de 1935, o auge da sua carreira) permite retratá-la de diferentes perspectivas.
No entanto, a Marilyn que Warhol reproduz não procura a revelação da mulher por detrás da personagem. A actriz é "deusificada" e associada ao seu carácter inatingível, em que a fama se mostra como um elixir de imortalidade, contrastando com o carácter efémero e descartável dos produtos, e com a própria afirmação de Warhol que afirma que "um dia todos terão 15 minutos de fama".
Assim, quando se observa a sua obra, conclui-se que o sucesso de Warhol não está vinculado ao ineditismo das suas telas mas sim à proximidade destas com os seus consumidores.

Andy Warhol, Shot Light Blue Marilyn, 1964. 

No entanto há que realçar que o conceito de inédito e original apesar de perder importância não deixa de ser valorizado, como se pode observar no caso das Shot Marilyns, de 1964, em que Dorothy Podber, uma jornalista americana pediu a Warhol para fotografar as quatro telas da recente falecida Marilyn Monroe. No entanto, na língua inglesa, a palavra "shoot" aplica-se tanto a tirar fotografias como a disparar um tiro. Assim, depois de Warhol ter permitido o que ele pensava ser uma fotografia das suas obras, Podber pegou na sua pequena pistola com a qual disparou um tiro em cada tela. Este acontecimento, apesar de ter transtornado Warhol, que nunca mais permitiu a sua entrada no estúdio, ficou lembrado como uma performance, além de ter aumentado o valor das próprias obras em questão pela sua unicidade: em 1989 a Shot Red Marilyn foi vendida por 4 milhões de dólares, o preço mais elevado até então pago por uma obra deste artista!


Referências:

Benjamin, Walter. (1955/1987) A obra de arte na era da reprodutibilidade técnica. Sobre Técnica, Arte e Política. São Paulo: Brasiliense

Wikipedia contributors (2013). ‘Shot Marilyns.’ In Wikipedia, The Free Encyclopedia [Consult.. 2013-12-29]. Disponível em <URL: http://en.wikipedia.org/wiki/Shot_Marilyns


Consumidos pela matéria

    Começando com uma retrospectiva, voltando atrás no tempo até cerca dos anos 60: uma sociedade industrializada, fruto de uma "explosão" industrial, a rádio, a cultura da imagem, do Ídolo, a televisão. Arte: Andy Warhol e a Coca-Cola!
     Mais exactamente em 1962, o grande representante da Pop Art americana pintou as icónicas serigrafias, que de certa forma elevaram ao estatuto de arte a embalagem da Coca Cola, marca completamente globalizada, não sendo consumida só na América mas propagando-se ao mundo. A Coca-Cola torna-se um dos melhores exemplos de consumismo a uma escala mundial. Tal como Andy Warhol referiu em alguma intervenção:
"What’s great about this country is that America started the tradition where the richest consumers buy essentially the same things as the poorest. You can be watching TV and see Coca-Cola, and you know that the President drinks Coca-Cola, Liz Taylor drinks Coca-Cola, and just think, you can drink Coca-Cola, too."
    Agora voltando mais atrás no tempo, em pleno século XIX, o filósofo Karl Marx reflecte sobre o feitiço da mercadoria, sobre o seu fetiche e segredo.
     Este atribuiu à mercadoria um valor de uso, de necessidade ou desejo de satisfação humana.
     Já em pleno século XXI, eu, não posso evitar perguntar-me se somos nós que consumimos, ou se não passamos de meros consumidos pelas matérias...

Tarefas domésticas pré-destinadas

"Fecham a mulher numa cozinha ou num camarim e espantam-se de que o seu horizonte seja limitado; cortam-lhe as asas e lamentam que não saiba voar. Que lhe abram o futuro e ela não será mais obrigada a instalar-se no presente."
- Simone de Beauvior, 1967

     Embora se pense que nos dias actuais, a mulher já possua um papel semelhante ao do homem na maioria das sociedades, acho que isso seja uma mentira. Haverá sempre alguém que mostre o contrário. Haverá sempre um macho a se auto-promover diante da fêmea. E haverá certamente uma fêmea que se deixe acanhar por tal superioridade do sexo oposto. Ainda há muito que os diferencie, e sempre haverá. 
     Tal diferença é notável no próprio lar de cada família. Na cozinha, todas os dias lá se encontra a mãe ou a filha a preparar a próxima refeição ou a lavar a sujidade da anterior. Todas as semanas lá se encontra uma fêmea a limpar o chão, os móveis ou a mudar os lençóis das camas. São tarefas que não se pôem em questão de não ser o homem a exercer-las. Nunca. As justificações  “não foi assim que me educaram” e “não é para isso que o homem serve” são as usadas para calar as fêmeas e as submeter continuamente a tais rituais. Por não ser assim que foi educado, é claro que não irá mudar tal educação contra seu favor. Nesses momentos o homem serve para estar sentado no sofá a actualizar-se do mundo através do jornal, ou então usando as tecnologias, através do computador ou mesmo da televisão. Nesses momentos o homem encontra-se no descanso. Pergunto-me quando é que a mulher nessa família tem o seu momento de descanso. Pergunto-me quando é que chegará o dia em que a mesma não tem de mergulhar as mãos em água gordurosa e enxaguar a loiça que a restante família usou para se alimentar.
     São estes subtis preconceitos, ainda existentes em muitos lares, que revelam o quanto a mulher ainda se encontra limitada, que ainda não alcançou a sua independência. Gerações passaram, muito as mulheres conquistaram, no entanto ainda existem homens que dificilmente aceitam tal perda de “controlo” e tentam mante-lo nos seus lares. Naquilo que eles possuem. Quem saiba isso mude, numa próxima geração.

domingo, 29 de dezembro de 2013

Filosofias de Sábado à noite


Uma cerveja morna e um maço de tabaco a chegar ao fim. Na sala onde me encontro com dois amigos — um bar sujo depois de uma noite de concertos — há um sofá onde dormem quatro raparigas, cantoras. Na sala do lado, cuja porta aberta deixa transitar o ruído, canta-se karaoke — é a noite de aniversário do dono. A conversa deste lado é a que costumo ter quando encontro o mais velho destes dois amigos, já com 40 anos e sempre pronto a divagar sobre mais uma história, livro ou música. Falamos da religião e de como ela engana os homens, da política e da sua perversidade, da cultura e do discurso ausente dos seus responsáveis. Dou mais um golo na cerveja e atiro outra ideia ao ar. “Porra, tu não podes ter a certeza que vais morrer, apenas deduzes isso porque vês tudo a morrer à tua volta!” Tenho dito isto muitas vezes, mas começo a pensar cada vez mais que se calhar não pensei suficientemente bem no assunto. “Olha, Spice Girls, no meu tempo era o que estava a dar!” — responde-me, ignorando a minha observação, poucos minutos depois de recomendar uma cantora fenomenal de cânticos islâmicos e tibetanos. Voltamos à conversa e a coisa abstrai-se cada vez mais. Este amigo mais velho, ostentando uma barba que poderia, noutros tempos, evidenciar uma sapiência ateniense, afirma arrojadamente que o ser humano foi alterado geneticamente há cerca de 200 mil anos atrás. Talvez da cerveja, da circunstância ou da barba, não me ri. Talvez fosse o cepticismo que vou tentando cultivar, ou então simplesmente boa educação, mas até ponderei a hipótese. Afinal, de onde veio a consciência? Eu que não percebo nada do assunto, cuja minha curiosidade vem das dúvidas existenciais antes do sono e que agora procuro as respostas na série “Cosmos” do Carl Sagan que uma amiga me recomendou, não sei por onde começar a responder. Rejeito deus em todas as suas materializações. Rejeito até pensar num início porque talvez nada tenha começado e tudo sempre esteve cá (outra possível barbaridade que se calhar devia repensar). Mas na verdade não tenho uma resposta, um princípio de algo, uma noção que faça sentido. Sou ignorante quanto ao facto mais importante da minha existência, que é ela própria, mas não acredito que possa ser mais que isso. Assumir uma certeza seria tirar a beleza à existência. A ciência mostrou-nos o fascínio grandioso dos mecanismo do universo. Na ciência como na arte, rejeitam-se teses como os pós-modernistas rejeitaram Corbusier. Emancipa-se a beleza da ignorância que motiva a procura. Talvez a beleza, e quem sabe o motivo, da nossa existência, aqui e agora, nesta condição de seres humanos ignorantes, é podermos discuti-la num bar sujo, com cheiro a tabaco entranhado na madeira velha, tão alto que acordamos a quatro raparigas que agora se apercebem que há karaoke.

Utopias Humanas

Existe muito trabalho pela frente e muita coisa para mudar numa sociedade consumista, sem auto-conhecimento e consciência colectiva e individual. Hoje em dia é mais fácil esperar que algo aconteça e nem cientes estamos sobre o que queremos mudar ou melhorar neste plano de existência que partilhamos. Parece que não se sabe o que se tem a fazer e que se quer tudo já feito. Chegar a um fim sem percorrer todo o caminho, sem subir todos os degraus metafóricos do percurso é saltar passos de processos de aprendizagem que são necessários para ter fundamento e verdade no que se vive e acredita. Muitos mantêm esperanças em pequenas coisas como ícones, eventos e situações que são baseadas em subjectividade aleatória e por vezes fúteis. O certo é que estamos entre uma massa de população completamente padronizada e viciada em jogos mentais e emocionais colocados à nossa disposição fazendo nos achar que precisamos deles pois caso contrário não teremos o futuro tão ansiado, da maneira como os finais felizes nos propõem como objectivo ou sonho. O problema é que não temos maturidade nem consciência de quais são os “degraus” até ao sonho de felicidade. O sonho comanda a esperança, a questão é onde deixamos os sonhos ficar e achamos que ficam bem guardados ou ainda onde baseamos sonhos sem fundamento, sem maturidade e sem verdade. Felicidade, conceito já á muito estudado, que é das questões ideológicas mais pertinentes. De certa maneira para existir felicidade tem de haver o oposto ou a ausência de felicidade. Na cultura em que eu estou inserida, a felicidade torna-se numa utopia muito desejada. A imagem e significado de felicidade é sugerida pelos contos de fadas quando somos crianças até aos filmes de cinema contemporâneo, uma imagem à qual queremos fazer de nós mesmos. Cheguei à conclusão que numa comunidade, onde não existe estes valores ideológicos da vida dos países desenvolvidos, onde o único propósito é conseguir obter água e comida para o dia-dia a maior verdade e pureza do estado que se alcança é felicidade da forma mais bruta e humana. O sorriso e o riso de uma criança que vive num dos sítios mais secos do planeta, quando chove a única vez do ano na sua aldeia, e os gritos e agitação que levam à dança e à brincadeira na chuva, são momentos onde o estado utópico se torna real e atinge o mundo do sensível, o ponto de verdade com fundamento em coisas verdadeiras como necessidades básicas, onde o humano racional usa o seu mundo ideológico para concretizar necessidades do físico que satisfazem o sensível. Na minha opinião a verdadeira utopia é encontrar o equilíbrio entre as ideias (mente), plano físico (acção/ concretização) e finalmente o ansiado estado de êxtase, que o humano tanto anseia sem maturidade e com pressa de TER. Pergunto se para o homem do séc. XXI o "remédio" para uma alienação, em estado grave, não seria voltar a viver em torno e preenchido, das necessidades básicas e ainda se esse "remédio" não será o propósito da vida em si.



Documentário "Human Planet BBC"

SEXO E SOCIEDADE


Ao longo dos tempos a mulher submetida ao homem torna-se um panorama rotineiro, onde esta, é muitas vezes vista como um objecto perante o mesmo. A sociedade desenvolve-se e evolui perante esta mesma hierarquia de género social. O homem conheceu-se como espécie dominante e a partir deste preconceito o ser humano criou os seus espaços e surgiram as formas que o definem. O género como ferramenta de construção revela-se por toda a parte, desde a mulher como objecto de consumo ao homem como ferramenta de poder.
As grandes cidades demonstram esta tal hierarquia do homem sobre a mulher e também de uma sociedade criada a partir destes valores. A arquitectura da cidade surge com base em tal, e partindo das melhores características para transmitir uma hierarquia não só de classes como de géneros, traduz estes valores nas suas formas mais simbólicas. Os hábitos humanos adaptam-se á forma e a sociedade desenvolve-se perante uma constituição que lhe é imposta, somos levados a viver a cidade, na constituição em que esta se nos apresenta. “O espaço urbano estabelece – na sua distribuição, utilização, transferência e simbolismo – hierarquias e prioridades que favorecem determinados valores e anulam outros”(Cortés). O homem assume a sua presença dominante na forma da cidade, os aranha-céus, assumindo uma forma fálica, admitem então o exemplo do poder masculino e uma autoridade dominante perante as outras formas, o poder é assumido e criam-se hierarquias através da forma do espaço que a sociedade ocupa. Tal como a mulher se tornou objecto através do cinema narrativo vemos isto acontecer nas ruas do dia-a-dia através do controlo imposto pela anatomia do espaço.
O tempo passa e a sociedade desenvolve-se nas suas ideias. O ser humano começa a aperceber-se deste domínio do objecto/espaço sobre si, e como este toma o seu controlo através das suas características. O consumo apodera-se destas relacções e faz-se crescer de acordo com as hierarquias que a cidade estabelece, o sujeito como objecto controlado e o objecto como controlador. O sujeito tenta libertar-se do espaço e a mulher afirma um papel de resistência á hierarquia que lhe foi, até hoje, imposta. Vemos uma mulher presente, quer ocupando cargos superiores na sociedade, quer afirmando e adquirindo os seus direitos. A mulher tem, no entanto, de resistir aos factores externos que o meio lhe foi apresentando nas suas constituições.
O filme “Sexo e a cidade” destaca o exemplo de como a mulher do séc. XXI tenta assumir um papel de poder, perante a situação social onde é vista a necessidade desta resistir ao meio que a rodeia para assumir o seu papel e importância. Conhecemos o exemplo da cidade imponente de Nova Iorque, onde a mulher acaba por se destacar através de um grupo de amigas que se mostra como uma excepção e motivação para outras do mesmo género, em relação ao constante destaque do poder masculino, acabando por se revelar uma obvia tentativa da afirmação de um género perante o outro, onde o consumo se torna o principal meio controlador. O filme começa com a necessidade da mulher de superar determinados obstáculos impostos pelas diferenças de género que o espaço e o ambiente de consumo da cidade, e termina demonstrando o poder que o sexo feminino consegue conquistar, por fim, no exemplo da cidade ocidental dos dias de hoje. Embora revelando-se um ser de destaque, a mulher apenas o demonstra através da necessidade de resistir e contrariar a sua submissão e controlo. O consumo e o estilo de vida levado, tornam-se o fetiche de cada um, criado pelo espaço que envolve o sujeito.
São os preconceitos um dia deixados por outros antecedentes a nós, que muitas vezes criam marcas e condicionantes externas ao ser humano, que o levam a agir como ser controlado (fantoche) e a sentir a necessidade de “obedecer ao espaço” autodisciplinando as suas atitudes de acordo com o mesmo e não com a sua livre vontade.

Cortés, José, 2008, in “Políticas do Espaço: Arquitectura, Género e Controle Social”, São Paulo
Mulvey, L. (1975) “Visual Pleasure and Narrative Cinema” Screen, vol.16 (Autumn) 

Matemática e Literatura



A matemática é a base das ciências e a ela são associadas disciplinas como a engenharia, a física, a estatística ou até ciências naturais como a biologia e a geologia. Tal como foi referido por Descartes a matemática é a base do universo. É impossível escapar à matemática no mundo moderno em que vivemos, até as ciências sociais como a sociologia baseiam o seu estudo dos padrões sociais em modelos matemáticos. Existem contudo áreas em que a matemática parece estar completamente arredada, talvez por preconceito. Uma dessas áreas é a literatura. Embora alguns dos escritores mais famosos da literatura tenham tido formação em matemática ou tenham até sido matemáticos famosos, a influência da matemática na criação literária é um tema raramente tratado no seio da comunidade de letras. E nos raros casos em que esta ligação é referida, utilizam-se muitas vezes exemplos prosaicos sem qualquer valor para a verdadeira investigação deste tema. A ideia perpetuada ao longo dos anos da literatura como uma actividade romântica em oposição à análise concreta e metódica da matemática teve uma influência da separação destas duas áreas. A verdade é que métodos de análise literária como o estruturalismo foram alargados ao estudo matemático, ao longo da história verificou-se também o movimento oposto, alguns métodos matemáticos foram utilizados na análise literária. Contudo se regressarmos às bases de ambas as disciplinas, ambas procuraram desde o princípio interpretar o mundo em que vivemos. Keith Devlin questionou na sua obra se haverá semelhança entre fazer matemática e escrever um romance, a sua resposta foi afirmativa, afinal em ambos os casos existe um processo mental que envolve a imaginação. Estas duas disciplinas embora aparentemente desconexas funcionam na maior parte dos casos em comunhão. A arte e literatura são conhecidas por colocarem as questões que a ciência e a matemática acabam por provar. Por outro lado o raciocínio e a lógica que são as bases da matemática, são também a base da produção literária. Este uso da matemática não é necessariamente decoração ou ridicularização de um problema matemático, é por vezes essencial para realçar o ponto que o autor quer, para atingir os objectivos da obra. A literatura pode usar diversas matérias e de diversas formas a matemática. Estas matérias são geralmente relacionadas com o mundo em que vivemos, como a geometria estatística e probabilidade. No artigo de Sally Lipsey e Bernard Pasternack são referidos autores que usaram matemática nas suas obras e com que intenções a usaram. Um dos exemplos referidos no artigo, é um poema de JoAnne Growney,”December and June”, onde não apenas no conteúdo mas também na estrutura do poema podemos encontrar matemática, neste caso em factorização primária (1,2,3,2x2): 

cold
winds howl
geese go south
nights long tea steeps
(…) 

Tal como referido anteriormente existem alguns trabalhos sobre este tema e embora muitos desses trabalhos sejam desinteressantes e até muitas vezes incorrectos, existem contudo obras fundamentais para o seu estudo. São exemplos disso, as obras A morte e o compasso de Jorge luís Borges e Gravity’s rainbow deThomas Pynchon ambas referidas no artigo de D.O.Koehler pelo seu uso da simetria e probabilidade, respectivamente, e também o famoso “Alice no País das Maravilhas” de Charles Lutwidge Dodgson.



DEVLIN Keith apud SAIBER, Arielle e S.TURNER, Henry, “Mathematics and the Imagination A Brief Introduction”, Vol. 17, nº1, Inverno 2009, p.2

D.O.Koehler (1982),”Mathematics and Literature”, Mathematics Magazine,Vol.55, nº2, Marco, p.81

I.LIPSEY, Sally e S.PASTERNACK, Bernard, “Mathematics in Literature”, ,p.1

D.O.Koehler,op.cit, p.83 et seq.