terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Alegoria da Caverna e a Atualidade

Alegoria da Caverna é um texto escrito por Platão no século IV a.C. com a intenção de criticar os homens do seu tempo, que ele acreditava estarem demasiado apegados ao mundo sensível, efémero e enganoso, e não possuírem interesse no mundo das ideias, eterno e verdadeiro.
Nessa alegoria um conjunto de homens vive numa caverna subterrânea, virados de costas para a entrada e aprisionados com grilhões de modo a que possam apenas olhar em frente. Por detrás deles existe um muro alto por onde passam várias pessoas com diversos objetos, como existe uma fogueira por detrás dessas pessoas, são projetadas sombras na parede que se encontra diante dos homens aprisionados. Como estes homens vivem acorrentados na caverna desde que nasceram acreditam que aquelas sombras que vêm são tudo o que existe.
Um desses habitantes da caverna consegue libertar-se da sua prisão. No seu primeiro contacto com o mundo exterior ele fica ofuscado com a luz, a nitidez do mundo ofusca-o. Progressivamente ele habitua-se a este mundo até então desconhecido e apercebe-se de que durante toda a sua vida apenas conheceu uma projeção de sombras do mundo real. Feliz por conhecer este mundo tão belo regressa à caverna pensando naqueles que lá ficaram. Mas quando explica aos seus antigos companheiros de cárcere que aquilo que acreditam ser verdadeiro não passam de cópias imprecisas do mundo real ninguém acredita nele, ele é descreditado e no final morto.

Esta crítica feita há mais de dois milénios não perdeu o seu valor na atualidade. Vivemos numa sociedade que vive da imagem e do consumo. Somos constantemente bombardeados por imagens que nos transmitem como devemos vestir, o que devemos pensar e o que devemos comprar, aliás, que devemos comprar. A maioria das pessoas vive mentalmente acorrentada e, por consequência, não conseguem contemplar um mundo que existe para além destas imagens. Poucos são aqueles que se apercebem que é possível viver sem as inúmeras necessidades que a sociedade criou; é, por exemplo, concebível viver sem telemóvel, não precisamos de ter corpos escultóricos e talvez o belo não seja apenas aquilo que as revistas mostram, também existem filmes mais interessantes que o The Hunger Games. Quando estes indivíduos livres tentam mostrar aos outros que têm vivido acorrentados numa caverna, que tudo aquilo que pensam sobre o mundo é apenas uma visão limitada da realidade, são ridicularizadas e desacreditadas tal como acontece na alegoria de Platão.
Para que o homem possa caminhar na direção da sua libertação mental é necessário várias alterações na sociedade, uma delas seria a criação de um programa escolar que não se foque, quase na sua totalidade, num saber memorizado e que se concentre também no cultivo da atividade de pensar e no desenvolvimento do senso crítico em relação à sociedade e ao mundo.