Devo,
antes de tudo, afirmar que esta publicação não tem implícita qualquer tipo de aversão ou
complexos de inferioridade em relação à minha própria cultura: trata-se de
perceber que todas as culturas, sem excepção, têm defeitos, pois todas foram
criadas pelo ser humano.
Muitas
vezes, a cultura revela ser um grande aprisionamento, na medida em que, se um
indivíduo se apegar demasiado a ela, àquilo que o identifica, às suas
referencias culturais, isso leva a um enorme condicionamento na sua forma de
pensar. É mais do que óbvio que a cultura programa, de certa maneira, a mente e
o modo de agir da comunidade em questão. Não é uma opinião, mas sim um facto evidente e observável por todos. Além disso, trata-se de algo tão
antigo, tão comum, que é perfeitamente natural que o indivíduo não revele
qualquer instinto de pôr nenhum dos seus ensinamentos culturais em causa, e, se
alguém ousar fazê-lo, o indivíduo sentir-se-á indignado e irá, como sabemos,
defender a sua cultura sem qualquer hesitação, reflexão ou investigação:
rege-se, portanto, pela tradição, e não pela razão e inteligência própria.
É
natural que isto aconteça, pois trata-se de uma defesa do ego, da sua verdade relativa: a sua
inteligência está limitada pela cultura, ou seja, a cultura é aquilo que sustenta o seu pensamento, logo, a mais pequena mudança ou dúvida em relação a
ela, será um desconforto e desorientação totais.
O
objectivo de qualquer indivíduo, é superar-se a si próprio, evoluir,
aperfeiçoar-se como ser humano, tornar-se a sua versão mais forte
(que inclui distanciar-se do ‘’eu’’, do ego, incluindo as suas identificações e
tradições que tanto limitam). Ora, se algum hábito ou vício o está a impedir de
o fazer, esse indivíduo deverá mudar algo.
O
mesmo se passa na sociedade ou mente colectiva: se alguma tradição ou costume (algo
tão superficial e imaginário) afeta a sua evolução, ou seja, de algum modo não
a deixa avançar para um novo e melhorado patamar, significa que deve haver uma
mudança.
A
questão que se coloca é a seguinte: se as tradições (algo que predomina por
entre qualquer população) são algo arbitrário e cultural (instituído, portanto,
pela mente colectiva) porque razão mantê-las mesmo que já não façam sentido
existirem por diversas razões já referidas? Porque razão a maioria teima em
manter-se cega em relação a isso?