sexta-feira, 27 de dezembro de 2013


 Devo, antes de tudo, afirmar que esta publicação não tem implícita qualquer tipo de aversão ou complexos de inferioridade em relação à minha própria cultura: trata-se de perceber que todas as culturas, sem excepção, têm defeitos, pois todas foram criadas pelo ser humano. 
Muitas vezes, a cultura revela ser um grande aprisionamento, na medida em que, se um indivíduo se apegar demasiado a ela, àquilo que o identifica, às suas referencias culturais, isso leva a um enorme condicionamento na sua forma de pensar. É mais do que óbvio que a cultura programa, de certa maneira, a mente e o modo de agir da comunidade em questão. Não é uma opinião, mas sim um facto evidente e observável por todos. Além disso, trata-se de algo tão antigo, tão comum, que é perfeitamente natural que o indivíduo não revele qualquer instinto de pôr nenhum dos seus ensinamentos culturais em causa, e, se alguém ousar fazê-lo, o indivíduo sentir-se-á indignado e irá, como sabemos, defender a sua cultura sem qualquer hesitação, reflexão ou investigação: rege-se, portanto, pela tradição, e não pela razão e inteligência própria.
É natural que isto aconteça, pois trata-se de uma defesa do ego, da sua verdade relativa: a sua inteligência está limitada pela cultura, ou seja, a cultura é aquilo que sustenta o seu pensamento, logo, a mais pequena mudança ou dúvida em relação a ela, será um desconforto e desorientação totais.
O objectivo de qualquer indivíduo, é superar-se a si próprio, evoluir, aperfeiçoar-se como ser humano, tornar-se a sua versão mais forte (que inclui distanciar-se do ‘’eu’’, do ego, incluindo as suas identificações e tradições que tanto limitam). Ora, se algum hábito ou vício o está a impedir de o fazer, esse indivíduo deverá mudar algo.
O mesmo se passa na sociedade ou mente colectiva: se alguma tradição ou costume (algo tão superficial e imaginário) afeta a sua evolução, ou seja, de algum modo não a deixa avançar para um novo e melhorado patamar, significa que deve haver uma mudança.
A questão que se coloca é a seguinte: se as tradições (algo que predomina por entre qualquer população) são algo arbitrário e cultural (instituído, portanto, pela mente colectiva) porque razão mantê-las mesmo que já não façam sentido existirem por diversas razões já referidas? Porque razão a maioria teima em manter-se cega em relação a isso?