Na virtualização não há
“aqui e agora”, mas há uma substituição do “aqui e agora”, uma substituição do
ser.
O facto de termos muita
informação disponível na Internet a qualquer hora faz com que tenhamos um
conhecimento possível, mas não real. É a substituição do nosso próprio corpo
enquanto interface.
Deste modo, uma
experiência virtualizada pode ser experienciada em qualquer altura, isto é, está
sempre disponível e posso ter quando quiser.
Contrariamente, o “aqui
e agora” é a convivência entre as pessoas com objetos, ou seja a experiência
direta. A própria materialidade das obras de arte é diferente ao vivo. Essa
experiência é impossível sentir através de fotografias, pois é preciso estar
“lá”. Só faz sentido estando em contato com algo, caso contrário são objetos
sem aura. Porque a aura está ligada ao aqui e agora.
Enquanto isso, o cinema
é a primeira manifestação que depende totalmente de alguma tecnologia.
“O pintor, no seu
trabalho, observa uma distância natural relativamente à realidade, o operador
de câmara, pelo contrário, intervém profundamente, na textura da realidade.”
BENJAMIN, Walter, A Obra de Arte na Era da sua
Reprodutibilidade Técnica
Essa substituição do
homem por uma máquina define uma instância de alienação. O homem nasce, cresce
e morre, tendo “aqui e agora”. Contrariamente, a máquina não tem necessidades
humanas, o que nos separa enquanto seres humanos.