domingo, 29 de dezembro de 2013

Virtualização

Na virtualização não há “aqui e agora”, mas há uma substituição do “aqui e agora”, uma substituição do ser.
O facto de termos muita informação disponível na Internet a qualquer hora faz com que tenhamos um conhecimento possível, mas não real. É a substituição do nosso próprio corpo enquanto interface.
Deste modo, uma experiência virtualizada pode ser experienciada em qualquer altura, isto é, está sempre disponível e posso ter quando quiser.
Contrariamente, o “aqui e agora” é a convivência entre as pessoas com objetos, ou seja a experiência direta. A própria materialidade das obras de arte é diferente ao vivo. Essa experiência é impossível sentir através de fotografias, pois é preciso estar “lá”. Só faz sentido estando em contato com algo, caso contrário são objetos sem aura. Porque a aura está ligada ao aqui e agora.
Enquanto isso, o cinema é a primeira manifestação que depende totalmente de alguma tecnologia.

“O pintor, no seu trabalho, observa uma distância natural relativamente à realidade, o operador de câmara, pelo contrário, intervém profundamente, na textura da realidade.” 
BENJAMIN, Walter, A Obra de Arte na Era da sua Reprodutibilidade Técnica


Essa substituição do homem por uma máquina define uma instância de alienação. O homem nasce, cresce e morre, tendo “aqui e agora”. Contrariamente, a máquina não tem necessidades humanas, o que nos separa enquanto seres humanos.