O desejo cultural, aquele que se distingue da forma instintiva do cheiro
ou de qualquer outro sensor vai condicionar a nossa busca da forma “perfeita”.
O afastamento em direção às “nuvens” o “levantar os pés da terra” faz-nos
querer um desejo que só por si é alienado dos desejos involuntários dos outros
seres naturais. Este desejo nasce com a linguagem, com a representação de nós
mesmos, permitindo a nossa própria explicação, o que nos causou, o que nos
originou, o falso sentido.
O apreciar a forma está condicionado mais que nunca, os preconceitos
formais são os sociais, são os sexuais, são aqueles que surgem no
pós-reconhecimento em frente ao espelho, pós-surgimento do ego e da
auto-consciência.
Quantos teóricos são negativistas por natureza ao inspirarem uma forma de
pensar falsa, em que criticam a própria cultura e o afastamento?
Até que ponto o “super-homem” vitorioso e glorioso de Nietzsche não é o
mais natural e a verdadeira ordem? O mais próximo do ético ou correto nunca
auferiu na sociedade. O sentido do sentimento de piedade pode também fechar o círculo
da percepção das formas, de tudo o que pode ser filmado, fotografado, ou até
mesmo pintado. A veneração da forma na pintura é de um valor sagrado em que a
piedade anti-Nietzsche nunca poderá interferir com a espontaneidade da forma.
Mas esta espontaneidade entra em colisão quando encontra o sentido do que pode
ser chamado de individual. O sentido antropomórfico da pintura, do cinema, da
fotografia e da arte enquanto alienação pelo próprio ego, é e sempre será uma
condicionante maior no pensamento. Detenho-me algumas horas numa reflexão do
caminho independente da forma, horas diárias, uma confusão de instintos.