terça-feira, 17 de dezembro de 2013

O Poder do Agora

 Tempos lá vão em que se valorizava o futuro, aquele horizonte distante mergulhado em esperança, em promessas, em bons presságios.
A técnica, a inovação, a velocidade, a abundância, o movimento eram aspectos catalisadores da esperança e da vontade de evoluir. 
Essa era moderna, envolvida numa aura de ânsia e de vontade de progresso projectou a sua influência nas artes, na literatura, na arquitectura, na música, no teatro entre outras vertentes inerentes à sociedade. Assim se sobrepôs a subjectividade àquilo que era o "real". 
 Em paralelo com estas novas tendências e maneiras de expressar de forma subjectiva a realidade estava a industrialização, factor preponderante para que todas as características aliadas ao progresso vingassem.
Como o tempo não pára e a ele associado as cabeças pensantes não cessam de inovar, o modernismo deu lugar a um novo paradigma: o pós-modernismo. E assim já não é mais o futuro que nos move; é o presente que nos interessa e por isso também alterei o meu discurso para a primeira pessoa. Assim a noção de presença aumenta e a minha identidade exalta-se.
A frustração que nos causa agarrarmo-nos ao passado e ansiedade que suscita vivermos de olhos postos no futuro deram lugar a esta necessidade de nos concentrarmos aqui e agora. É o poder do agora.
 O hedonismo, a corrente por excelência do prazer, ganha sentido. E esse passa a ser o paradigma: de olhos postos no momento que nos presenteia, e reagindo aos estímulos reais e momentâneos achamos o momento da verdade.
E assim se passa a reflectir na arte e na literatura, no teatro e no cinema, na escrita poética e na lírica, os valores de uma sociedade incessantemente buscando o prazer, a satisfação e a auto-realização. E assim o foco deixa de ser nos retratos do passado ou nos horizontes do futuro para passar a ser no chão debaixo dos pés, aqui, agora, como o ar que acabei de inalar.