O que não é um jogo?
O vestuário é um jogo de interiorização. Assim como a linguagem
é um jogo de conceitos.
Através do nosso vestuário mostramos aquilo que queremos ser
ou aquilo que pensamos ser por meio do julgamento das outras pessoas. Com base
no que os outros iram pensar, vestimos o que achamos ser apropriado para
determinada situação para nos encaixarmos na sociedade em que vivemos, ou que
vamos vivenciar durante determinado período de tempo. Aquilo a que chamamos de
“moda”, por exemplo, é uma interiorização dos pensamentos de outras pessoas ou da
visão de outras que nós aceitamos ao visualizar uma maioria que emprega esse
conceito. Afinal de contas a moda é apenas uma pequena ditadura que nos obriga
a consumirmos aquilo que ainda não temos, ou não. Quem não está na moda é quase
que julgada e posta de parte através de uma sociedade consumista. Com isto
pergunto me, “O que é a moda?”, será quase uma regra que temos de seguir à
risca? Porque se for somos todos comunistas. Mas se não for uma regra e não a seguir mos à risca, então
estamos a pôr nos de parte? Somos excluídos desta sociedade consumista que
quase nos exige a sermos robôs que empregam esta visão de alguém. Então aí
estaremos a ser nós próprios? Seguimos a visão de alguém pensando que está
correto mas a questão é, “O que é correto?”.
O vestuário quando fala connosco, faz nos concentrar mais naquilo
que expomos do que aquilo que interiorizamos. Ou seja, a beleza vem primeiro do
que o conforto. O querermos mostrar que estamos “in” exteriormente, faz nos
estar “out” interiormente. É um jogo.
Assim como o vestuário, a linguagem também é um jogo mas de
conceitos. Dar nomes às coisas e aos sítios, é uma característica do humano.
Para existir uma coesão na sociedade criou se uma linguagem universal.
As palavras são um jogo mental que utilizamos para nos expressar mos mas como
tudo, também pode ser um perigo. O mal-entendido pode ser um perigo para
amizades e sentimentos. Por isso a linguagem é um jogo. Um jogo que tem de ser
bem jogado através da escolha certa, senão pode haver consequências. Escolher
palavras é escolher pontos de vista, escolher conceitos que definam aquilo que
sentimos. Afinal de contas os conceitos são apropriações de sensações que por
alguma razão funcionam assim. Por outro lado também há a não apropriação de
sensações: Não ter palavras para é
deixar que esse objecto alvo da nossa mudez saia do mundo, ou que nem sequer
entre.
O vestuário é uma linguagem e a linguagem é um vestuário.