domingo, 29 de dezembro de 2013

O que não é um jogo?

O vestuário é um jogo de interiorização. Assim como a linguagem é um jogo de conceitos.

Através do nosso vestuário mostramos aquilo que queremos ser ou aquilo que pensamos ser por meio do julgamento das outras pessoas. Com base no que os outros iram pensar, vestimos o que achamos ser apropriado para determinada situação para nos encaixarmos na sociedade em que vivemos, ou que vamos vivenciar durante determinado período de tempo. Aquilo a que chamamos de “moda”, por exemplo, é uma interiorização dos pensamentos de outras pessoas ou da visão de outras que nós aceitamos ao visualizar uma maioria que emprega esse conceito. Afinal de contas a moda é apenas uma pequena ditadura que nos obriga a consumirmos aquilo que ainda não temos, ou não. Quem não está na moda é quase que julgada e posta de parte através de uma sociedade consumista. Com isto pergunto me, “O que é a moda?”, será quase uma regra que temos de seguir à risca? Porque se for somos todos comunistas. Mas se não for uma regra e não a seguir mos à risca, então estamos a pôr nos de parte? Somos excluídos desta sociedade consumista que quase nos exige a sermos robôs que empregam esta visão de alguém. Então aí estaremos a ser nós próprios? Seguimos a visão de alguém pensando que está correto mas a questão é, “O que é correto?”.

O vestuário quando fala connosco, faz nos concentrar mais naquilo que expomos do que aquilo que interiorizamos. Ou seja, a beleza vem primeiro do que o conforto. O querermos mostrar que estamos “in” exteriormente, faz nos estar “out” interiormente. É um jogo.

Assim como o vestuário, a linguagem também é um jogo mas de conceitos. Dar nomes às coisas e aos sítios, é uma característica do humano. Para existir uma coesão na sociedade criou se uma linguagem universal.  
As palavras são um jogo mental que utilizamos para nos expressar mos mas como tudo, também pode ser um perigo. O mal-entendido pode ser um perigo para amizades e sentimentos. Por isso a linguagem é um jogo. Um jogo que tem de ser bem jogado através da escolha certa, senão pode haver consequências. Escolher palavras é escolher pontos de vista, escolher conceitos que definam aquilo que sentimos. Afinal de contas os conceitos são apropriações de sensações que por alguma razão funcionam assim. Por outro lado também há a não apropriação de sensações: Não ter palavras para é deixar que esse objecto alvo da nossa mudez saia do mundo, ou que nem sequer entre.



O vestuário é uma linguagem e a linguagem é um vestuário.