Todos os dias
me movimento e trabalho num universo a que supostamente chamamos de “arte”, sem
nunca me interrogar verdadeiramente sobre o seu significado. Qual a sua
verdadeira utilidade e porque razão sentimos necessidade de a criar? Fazemos parte
da arte ou é a arte que faz parte de nós?
A definição de arte varia com o tempo e de acordo com as
várias culturas humanas e por esta mesma razão a própria definição de arte é
uma construção cultural variável e sem significado constante. Nós criamos um distanciamento entre a
nossa origem e cultura – poderá ser aqui que entra a arte e o seu papel?
Ao longo dos
anos vários autores tentaram definir arte, o conceito adquiriu assim uma história:
" O nosso século chegou à
conclusão de que conseguirmos uma definição abrangente do que é arte é não
apenas algo dificílimo, como impossível" - Wladyslaw Tatarkiewicz ; “Se foi
criado com o fim expresso de ser considerado como tal e foi colocado num
contexto em que é visto como tal" - Robert Hughes; "Hoje
em dia a ideia de definirmos arte é tão remota que não acredito que alguém
teria coragem de o fazer" - Robert
Rosenblum.
Ao explorar a
verdadeira razão pela qual criamos arte e qual a sua relação com a cultura e
com a vida depois da morte (arte como veiculo para a imortalidade) podemos
atingir possivelmente uma definição para este conceito. Como se a certeza da
morte nos impulsionasse a criar pois deixa-nos intemporais, uma vez mortos as
nossa obras comunicarão por nós dai em diante. A obra ultrapassa o criador e
vive mais que ele, torna-se imortal e por vezes intemporal.
Penso várias vezes neste conceito e nunca encontro respostas totalmente assertivas, mas pretendo com este texto, pelo menos, colocar as minhas questões e fazer com que mais pensei e explorem este assunto que ainda tem tanto por explorar!