Século XXI, sento-me perante o ecrã do meu computador e pesquiso algo. Deste gesto apenas posso retirar a essência da razão da minha pesquisa - curiosidade, entretenimento, estudo ou trabalho – nada no gesto, me indicia qualquer tipo de exploração humana. Será em grande parte aquele rectângulo branco que me liga ao resto do mundo. Está na instantaneidade do gesto, que anseia por resultados após 1 segundo da confirmação dada pelo enter, que o homem entende uma nova forma de explorar o seu mundo. Informação listada em links, sem espaço nem tempo, que embora organizada, se afasta da capacidade humana de a percepcionar, tornando-a invisivelmente perigosa. Os browsers trazem consigo a ideia de simplicidade e facilidade em pesquisar dentro da web. É neste enorme repositório virtual de informação que as pistas da exploração são editadas para o indivíduo. Segundo Eli Pariser, o facto de os resultados da nossa vivência online condicionarem os resultados obtidos na pesquisa, está a conduzir-nos a um efeito de ‘bolha’. Este é o efeito da constante personalização baseada em algoritmos que nos devolvem resultados relacionados com aquilo que já pesquisámos anteriormente, que já demos feedback (exemplo dos ‘likes’), que já partilhámos e que indirectamente está próximo dos interesses dos nossos amigos online. Sem dúvida que este parece ser um bom conceito teórico se pensarmos dentro dos conformes desejáveis no século XXI - eficiência e rapidez. Na verdade, vivemos segundo padrões repetitivos, dentro da nossa bolha de interesses e pessoas, mas temos sempre à nossa disposição um mundo físico a explorar. Extrapolando a barreiras virtuais criadas por estes algoritmos personalizados para o mundo real, poderia colocar-se a situação de um indíviduo que todos os dias percorre determinado caminho, se deparar com um muro físico que o impedisse de tomar um percurso alternativo. A procura pelo conhecimento e informação deve-se expôr sempre na totalidade não editada de hipóteses. A linha que separa a possibilidade de obter resultados personalizados e resultados fora da bolha, é ténue; e coloca-nos entre a extrema personalização e a possibilidade de nos isolarmos do mundo. Enquanto ser humano, o grande passo evolutivo está em aprender e saber trabalhar nas circunstâncias que se geram fora da nossa bolha de conforto, fora do que nos é familiar e esperado.