São atraentes, fazem a mulher sentir-se confiante ao usá-los, sentindo-se na moda e com poder de dominar o mundo. Porém, a consciência de tudo aquilo que o salto alto representa é pouca.
Ao usá-los, são acentuadas diversas partes do corpo de grande carácter erógeno, como os seios, as nádegas e as coxas. A mulher objectifica-se então perante o olhar do homem, procurando a sua aprovação. Outra característica do uso do sapato de salto alto é a dificuldade que coloca à mulher de realizar grandes esforços físicos, reforçando uma ideia de fraqueza e subordinação perante o "sexo dominante".
Segundo o senso comum e os meios de comunicação, a mulher é a sua própria aparência, conforme o homem a vê. É portanto levada a tratar da sua imagem como sendo aquilo que a define.
A imagem da dona de casa incansavelmente trabalhadora - não fazendo, está claro, mais que a sua obrigação - presente nos mais diversos meios de comunicação como a televisão, revistas, publicidade, etc. contribui também para uma ideia de submissão da mulher face ao homem. Esta limpa a casa, visando o conforto do homem; cozinha grandes e deliciosas refeições, de forma a agradar o paladar (e o bucho!) do homem; entretém os convidados, educa os filhos, trata do jardim, tal como da sua imaculada imagem - tudo isto com um sorriso na cara, tudo isto para preservar a imagem do marido e assegurar o seu conforto.
Na fotografia, a maquilhagem trata de salientar os olhos e os lábios da mulher, reduzindo o seu rosto a uma imagem infantilizada. Geralmente, a mulher encontra-se numa pose curvada ou inclinada, de forma a retratar a tal submissão face ao homem.
Há claramente algo de muito errado em tudo isto; reduzir um ser à sua aparência é claramente uma atitude que não revela qualquer consciência nem respeito da beleza da mente humana e daquilo que o ser humano é - não pela sua aparência, mas pela sua experiência e forma de agir/pensar. Apesar disso, continuamos a deixar-nos influenciar por todas estas concepções redutoras que tratamos de impor uns aos outros.
A verdade é que este comportamento, embora muitos de nós estejamos conscientes do quão vergonhoso é, dificilmente será corrompido, dada a escala deste tipo de pensamento. Ainda assim, acreditar num mundo em que a educação - não só em infantes como em todas as idades - transmite os valores certos não me parece absurdo.
