Estamos na época Natalícia. Época do amor, da solidariedade,
da fraternidade….. e do consumismo.
O consumo, visto pela atual sociedade, significa
fundamentalmente, compra de mercadorias, tornando-se num fenómeno social e
histórico.
Hoje em dia, o verdadeiro sentido do Natal, apenas é vivido
por uma minoria de pessoas, pois para a maioria, é o consumismo que faz
despoletar o alegado “Espírito Natalício”. Na generalidade, a época Natalícia,
vive-se numa aura de obrigação em dar para receber, ou vice-versa.
Quando era pequeno, o meu avô falava-me de como era passado
o Natal no seu tempo, e recordo-me hoje em dia de tudo o que ele me dizia. “Quando
tinha a tua idade, o Natal era à luz das velas, com a família toda reunida,
matava-mos um porco e fazíamos a festa… Prendas? Queres melhor prenda que isto?”.
Ainda jovem, eu, fazia-me confusão, um Natal sem prendas, sem aquela emoção de
chegar à meia-noite para as abrir, umas horas antes tentar descolar um bocado
de fita-cola às escondidas para ver o que estava la dentro do embrulho, tudo
era mágico…… Embora tenha sido habituado a receber prendas e a dar, hoje em
dia, aquelas simples palavras, que não me esqueci, fazem para mim todo o
sentido.
Uns mais outros menos, o que é certo, é que acabamos todos
por ceder às tentações natalícias, euro a euro, sem dar por isso. Chegamos ao
fim do Natal com a carteira mais vazia, e ai surge um novo paradoxo entre
poupança e desperdício.
