segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

bip bip bip "ERRO"

Hoje é dia 30, o penúltimo do ano, e mais uma vez pouco ou nada mexe pelas ruas dos subúrbios da capital. Pelas janelas conseguimos ver uma ou outra luz ligada, ou uma árvore de Natal cheia de enfeites e luzinhas que piscam. As pessoas fogem e abrigam-se do frio nas suas tocas, vêem-se apenas uns miúdos a brincar e a gritar nos parques com as novas aquisições das festividades ou outros esperando pelo autocarro que os levará ao conforto caseiro da família.
      Mesmo assim de todas estas personagens, poucos são os que prevalecem e ficam em casa pois a maioria arruma as coisas e parte para a festa. Os que já foram, entopem vias rápidas com os seus automóveis, cheios de bagagem e amigos, cada um sonhando com a melhor maneira de se perder na noite de amanhã, que acabará esquecida no dia seguinte.
      Este ano decidi questionar este pensamento, a obrigatoriedade da festa e do gasto e da confusão e do enorme nível de embriaguez simplesmente por ser esta específica altura do ano. Porquê? Porque é que toda a gente faz e quer fazer isto? Como resposta a esta pergunta optei por aproveitar ficar em casa, visto que os meus progenitores decidiram seguir o exemplo do resto do mundo e deslocarem-se para algum local inóspito onde pudessem desfrutar do barulho e da algazarra.
      Esta decisão foi tomada não há muito tempo mas à medida que as pessoas, atarefadas com a organização do "festão da PDA!!", me perguntavam ou convidavam para o seu respectivo evento e me explicavam todos os pormenores, eu ia entendendo que não era bem isso que me estava a apetecer. Fui respondendo que não me dava muito jeito, que era longe, ou que era caro, até que finalmente aceitei que este ano não quero confusões e vou ficar em casa. As pessoas ficam intrigadas com tal afirmação e dizem-me quase todas "A sério?! Vais ficar em casa?! Mas... É a passagem de ano, a sério que vais ficar em casa?! Com quem?! Blablablablabla". Começo a achar que as pessoas são realmente obtusas. Não pode haver comportamentos fora da norma. Somos máquinas programadas para aceitar uma determinada realidade, se algo foge ao leque de opções pré-definidas, bip bip bip ''ERRO''. Mais que isso, porque é que o ser humano tem constantemente a necessidade de obter mais quando o que já tem chega e sobra?
    Amanhã, dia 31 de Dezembro, o último dia deste ano de 2013, passarei a minha meia-noite no sofá ou na cozinha, talvez no quarto ou até mesmo na casa de banho, mas certamente em casa com a minha namorada e com o meu cão, pois acordei e vi, senti e pensei que isto que tenho aqui chega-me e faz-me feliz.