Época natalícia, repleta de amor, e de
mais o quê? Consumismo, é claro. Afinal, os dois andam lado a lado quando o
assunto é vender, exemplo disso são as campanhas publicitarias sentimentalistas.
Os media são capazes de mudar conceitos
e encobrir propósitos.
Nesta época de
concorrência, muita concorrência é o que não falta e a alma do negócio é o
“amor”. As marcas e empresas fazem todos os possíveis para conquistar clientes,
emocionando-os. O objetivo final continua a ser comum: ganhar dinheiro.
O natal é cada vez
mais uma fúria consumista absolutamente impiedosa.
Antes éramos
envolvidos pela música metálica de sinos de igreja, hoje é o som frenético das
máquinas registadoras. Sai de cena o menino Jesus e entra o senhor idoso de
roupas vermelhas. Mas nem a esse personagem é feita justiça pois foi inspirada
originalmente num homem simples e lembrado pela sua solidariedade, que não se
relacionava de todo com sistema capitalista que o transformou num símbolo e
que, por sua vez, transformou o natal num evento elitista.
Por ser Natal é inevitável não
pensarmos em dinheiro. No subsídio que chegou e já se foi, nos presentes que faltam comprar e no seu
custo galopante e aquele momento ingrato em que se acha que toda a relação,
quer seja familiar, de amizade, profissional, pode ser medida pelo dinheiro investido
no seu respectivo presente. O que conta, infelizmente, já não é só a intenção.
O sentimento que
inspirou o hábito cultural de oferecer algo material, a generosidade que mostra
o melhor do ser humano, tem vindo a desaparecer prevalecendo só uma sede de
consumo e um sentimento de obrigatoriedade para saciar essa sede.
É uma ofensa e não
aparecer de presente na mão, é falta de consideração. O que faz com que as
vezes se acabe por comprar sem grande deliberação, só por comprar.
Claro que somos nós que decidimos se
compramos alguma coisa ou não compramos, mas o certo é que no momento cedemos
sempre, para não ir contra o sistema.
