Recentemente li O Triunfo dos Porcos que conta a história de uma quinta governada só por animais após uma revolução contra os humanos. O livro é uma alegoria à revolução russa e à ascensão ao poder do ditador Stalin.
Inspirados pelo velho e respeitado porco Major (cujo discurso basicamente se resume a este excerto do Manifesto Comunista de Karl Marx "Os comunistas (...) proclamam abertamente que os seus objectivos só podem ser alcançados pela derrubada violenta de toda a ordem social existente. Que as classes dominantes tremam à ideia de uma revolução comunista. Os proletários nada têm a perder nela a não ser suas cadeias. Têm um mundo a ganhar."), os animais planeiam a expulsão de todos os humanos da quinta, os animais tornam-se auto suficientes, implementam-se regras básicas como "todos os animais são iguais" "4 pernas, bom; 2 pernas, mau" e, por uns tempos, tudo corre bem. Os porcos que eram mais inteligentes assumem a chefia dos animais em todas as tarefas e assim o poder começa a tomar conta dos porquitos e começam a destacar-se dois suínos com ideias bastante distintas para o futuro dos animais. Um deles consegue a expulsão do outro da quinta, o que marca o início de um regime totalitário. O bem comum de todos os animais deixa de ser prioridade em substituição dos interesses do porco regente. O porco que comunica as decisões da chefia só diz mentiras de forma a ocultar os verdadeiros interesses e os animais são explorados sem darem conta e, quando dão, não há nada a fazer porque pensam-se livres por não serem governados por humanos.
Este livro deixou-me desconfortável ao longo da leitura por acompanhar a perda progressiva dos direitos e liberdade que os animais tanto sonharam, ao ponto de se revoltarem e no final volta tudo ao mesmo. Ou pior. Apesar de ser uma metáfora para uma parte da história mundial, a meu ver o triunfo dos porcos representa uma critica à sociedade que parece fechar os olhos ao que um governo lhe faz, parece aceitar passivamente ideologias parasitas impostas sobretudo por regimes totalitários para meter medo. Às tantas a culpa da situação de uma sociedade é culpa dela própria que não questiona o que se lhe está a ser imposto.