Como é que podemos aceitar a
realidade, quando não há explicações dessa realidade em si? A realidade é
apenas informação que nos chega através dos sentidos, para depois ser processada pelo cérebro e ai
o cérebro diz-nos sim, de facto, este sitio onde estás neste preciso momento é
a realidade e tudo o que isso implica, ser um habitante do planeta Terra, que
pertence a uma galáxia, e essa galáxia pertence ao universo, composto de
milhões de galáxias.
Esta realidade começou na
barriga de nossas mães, viemos para o mundo, mas só por volta dos quatro anos
de idade é que começamos a armazenar memórias da nossa experiencia de vida
neste planeta. A nossa memória faz então a associação natural de que só
existimos a partir do primeiro momento de que nos lembramos, seja a partir dos
dois, três ou quatro anos de idade. Sem explicação, estamos nós com a mais
tenra das idades, largados ao mundo. Os nossos pais vão tentando nos educar
perante a sociedade, fazendo nos reconhecer objetos, ações, falas, e explicando
ao mesmo tempo todos os pormenores da vida na natureza. A educação é das coisas
mais importantes para um ser humano, mas essa educação é sempre dada de modo a
estarmos instruídos com o mundo da sociedade, somos educados para ter a consciência do caminho que temos de escolher
para convivermos e coexistirmos com a sociedade. Desde pequeno que me perguntam
“o que queres ser quando fores grande?”, eu sempre respondi que não sabia. Como
é que podemos escolher o caminho e o futuro que queremos tomar, sem termos uma educação
dada de modo a estarmos instruídos sobre nós mesmos, sobre o pensar, o estar
sozinho no mundo por mais rodeado de gente que se esteja. Pois a realidade é
apenas realidade porque somos nós a senti-la, mas esta realidade onde vivo é
sempre diferente da realidade do meu vizinho, pois ele apreende a vida conforme
a sua maneira de ser e pensar e os seus gostos e ódios. A minha questão é que esta realidade onde
vivemos não é mais importante do que a realidade do nosso pensar, e sobre esta
realidade é que devíamos ser educados. Só ao chegar ao décimo ano do secundário
e ao deparar-me com a Filosofia, é que
pensei, “afinal eu não sou maluquinho, há quem pense como eu.”