domingo, 1 de dezembro de 2013

Numa pedra dorme-se cosmicamente


 Como é que podemos aceitar a realidade, quando não há explicações dessa realidade em si? A realidade é apenas informação que nos chega através dos sentidos,  para depois ser processada pelo cérebro e ai o cérebro diz-nos sim, de facto, este sitio onde estás neste preciso momento é a realidade e tudo o que isso implica, ser um habitante do planeta Terra, que pertence a uma galáxia, e essa galáxia pertence ao universo, composto de milhões de galáxias.

Esta realidade começou na barriga de nossas mães, viemos para o mundo, mas só por volta dos quatro anos de idade é que começamos a armazenar memórias da nossa experiencia de vida neste planeta. A nossa memória faz então a associação natural de que só existimos a partir do primeiro momento de que nos lembramos, seja a partir dos dois, três ou quatro anos de idade. Sem explicação, estamos nós com a mais tenra das idades, largados ao mundo. Os nossos pais vão tentando nos educar perante a sociedade, fazendo nos reconhecer objetos, ações, falas, e explicando ao mesmo tempo todos os pormenores da vida na naturezaA educação é das coisas mais importantes para um ser humano, mas essa educação é sempre dada de modo a estarmos instruídos com o mundo da sociedade, somos educados para ter a  consciência do caminho que temos de escolher para convivermos e coexistirmos com a sociedade. Desde pequeno que me perguntam “o que queres ser quando fores grande?”, eu sempre respondi que não sabia. Como é que podemos escolher o caminho e o futuro que queremos tomar, sem termos uma educação dada de modo a estarmos instruídos sobre nós mesmos, sobre o pensar, o estar sozinho no mundo por mais rodeado de gente que se esteja. Pois a realidade é apenas realidade porque somos nós a senti-la, mas esta realidade onde vivo é sempre diferente da realidade do meu vizinho, pois ele apreende a vida conforme a sua maneira de ser e pensar e os seus gostos e ódios.  A minha questão é que esta realidade onde vivemos não é mais importante do que a realidade do nosso pensar, e sobre esta realidade é que devíamos ser educados. Só ao chegar ao décimo ano do secundário e  ao deparar-me com a Filosofia, é que pensei, “afinal eu não sou maluquinho, há quem pense como eu.”