Há
uns dias saí com a minha família e decidimos ir almoçar a um restaurante
indiano. Quando entramos a música chamou a minha atenção e do meu irmão
principalmente a atenção, música pop
da Índia; e mal nos sentámos olhei para a televisão onde passava o videoclip da
música que se fazia ouvir em todo o espaço. Passados mais ou menos trinta
minutos, reparei num aspeto interessante: durante todo aquele tempo passaram-se
inúmeros vídeos de música e, para meu espanto, tinham todos o mesmo tema e
formato. Em todos eles existia uma mulher que era rodeada e adorada por
inúmeros homens, ou ao contrário, um homem rodeado por mulheres. A mulher
demonstrava poder e tudo mais, mas era um puro objeto, pronto para ser olhado pelo
homem, para chamar a atenção. Imediatamente lembrei-me que seria uma ótima
forma de explorar um tema dado na disciplina de Cultura Visual: gaze, nomeadamente do ponto de vista masculino.
The male gaze é um termo desenvolvido
por Laura Mulvey (1941) que é traduzido por “olhar masculino”, ou seja, quando
vemos algo filmado ou ilustrado pela perspetiva do que os media pensam que os
homens querem ver. Mulvey declarou que as mulheres eram alvo de objetivação
pelo cinema, também pelo facto de os homens estarem no controlo do mesmo,
acabando por tornar o cinema exemplos de escopofilia (desejo de obter prazer
através do olhar/observação). Tal perspetiva é observável em anúncios
publicitários, filmes, e, pegando no exemplo acima descrito, em músicas e
videoclips.
Este conceito
não está apenas presente pela cultura indiana, pelo contrário, a mesma foi
buscar inspiração ao “mundo ocidental”. Atualmente são géneros de música como
Pop, R&B e Hip Hop que aplicam o male
gaze nas suas múscias e videoclips. Existem centenas de exemplos possíveis
de retratar, California Gurls – Katy
Perry, Who Run The World – Beyonce e
um dos mais recentes “escândalos”, Wrecking
Ball – Miley Cyrus. Nestes videoclips é evidente que a mulher torna-se um
objeto e servem apenas para ser observadas e/ou admiradas, como nos vídeos que
assisti no restaurante. Acontece que muitas vezes continua-se a argumentar,
dizendo que as mulheres estão apenas a demonstrar força e poder, o alegado girl-power. Contudo, será que para
demonstrar poder a mulher tem de seduzir, mostrar o corpo e provocar? Tornar-se
um objeto do homem é a força da mulher?