domingo, 29 de dezembro de 2013

The Male Gaze


               Há uns dias saí com a minha família e decidimos ir almoçar a um restaurante indiano. Quando entramos a música chamou a minha atenção e do meu irmão principalmente a atenção, música pop da Índia; e mal nos sentámos olhei para a televisão onde passava o videoclip da música que se fazia ouvir em todo o espaço. Passados mais ou menos trinta minutos, reparei num aspeto interessante: durante todo aquele tempo passaram-se inúmeros vídeos de música e, para meu espanto, tinham todos o mesmo tema e formato. Em todos eles existia uma mulher que era rodeada e adorada por inúmeros homens, ou ao contrário, um homem rodeado por mulheres. A mulher demonstrava poder e tudo mais, mas era um puro objeto, pronto para ser olhado pelo homem, para chamar a atenção. Imediatamente lembrei-me que seria uma ótima forma de explorar um tema dado na disciplina de Cultura Visual: gaze, nomeadamente do ponto de vista masculino.

The male gaze é um termo desenvolvido por Laura Mulvey (1941) que é traduzido por “olhar masculino”, ou seja, quando vemos algo filmado ou ilustrado pela perspetiva do que os media pensam que os homens querem ver. Mulvey declarou que as mulheres eram alvo de objetivação pelo cinema, também pelo facto de os homens estarem no controlo do mesmo, acabando por tornar o cinema exemplos de escopofilia (desejo de obter prazer através do olhar/observação). Tal perspetiva é observável em anúncios publicitários, filmes, e, pegando no exemplo acima descrito, em músicas e videoclips.

Este conceito não está apenas presente pela cultura indiana, pelo contrário, a mesma foi buscar inspiração ao “mundo ocidental”. Atualmente são géneros de música como Pop, R&B e Hip Hop que aplicam o male gaze nas suas múscias e videoclips. Existem centenas de exemplos possíveis de retratar, California Gurls – Katy Perry, Who Run The World – Beyonce e um dos mais recentes “escândalos”, Wrecking Ball – Miley Cyrus. Nestes videoclips é evidente que a mulher torna-se um objeto e servem apenas para ser observadas e/ou admiradas, como nos vídeos que assisti no restaurante. Acontece que muitas vezes continua-se a argumentar, dizendo que as mulheres estão apenas a demonstrar força e poder, o alegado girl-power. Contudo, será que para demonstrar poder a mulher tem de seduzir, mostrar o corpo e provocar? Tornar-se um objeto do homem é a força da mulher?