sábado, 28 de dezembro de 2013

Consumo da Arte

(Retirado do documentário Exit Through the Gift Shop, pelo artista de rua Banksy)

A sociedade de consumo e a indústria cultural conceberam alterações inegáveis no meio artístico. Além de serem a génese do movimento Pop Art, tiveram outras implicações neste ramo tão vasto. A massificação do produto, o surgimento de inúmeros hipermercados e centros comerciais, o abuso de oferta e o excesso de consumo que deles resulta transfigurou por completo a cultura da sociedade. Esta atitude consumista propaga-se, e ao estender-se à arte transforma a obra artística numa mercadoria, num objecto de consumo com valor comercial, completamente desprovido de significado.

Esta visão da obra de arte como objecto tira-lhe valor, visto que a reduz a factores exteriores à sua essência, como por exemplo de que artista provém ou a procura que existe em torno dela. Por acréscimo, a qualidade da arte começa a ser proporcional ao seu sucesso no mercado, consequentemente, a arte começa a produzir-se com intuito comercial e o público caracteriza-se como consumidor/comprador. Assim o artista reduz-se a um produtor que cria em nome da lei da oferta e da procura. 

As consequências do consumo desmesurado na arte são visíveis a olho nu, quantas vezes não se ouviram falar no preço exorbitante de um "Rothko" ou de um "Picasso"? Pressupõe-se que por pertencer a um determinado artista ou por ser reconhecida através de certos padrões estéticos, a obra tem um certo valor, valor que só a elite económica consegue alcançar. Infere-se que a arte não é para todos, só para quem tem poder de compra para tal. À arte que se apresenta a preços acessíveis à classe média, que não pertence a grandes artistas e que é considerada medíocre na perspectiva da estética de vanguarda, não se atribui grande importância, em muitos casos é classificada de “produto cultural”.

Não importa a origem nem como circula, em qualquer um dos casos abordados a arte é vista como um produto e isto resulta da sociedade consumista em que vivemos. Esta perspectiva da arte como mera mercadoria absorve o conteúdo da obra artística, visto que o poder comercial a diminui a um simples objecto.