(Retirado do documentário Exit Through the Gift Shop, pelo artista de rua Banksy)
Esta
visão da obra de arte como objecto tira-lhe valor, visto que a reduz a factores
exteriores à sua essência, como por exemplo de que artista provém ou a procura
que existe em torno dela. Por acréscimo, a qualidade da arte começa a ser
proporcional ao seu sucesso no mercado, consequentemente, a arte começa a produzir-se
com intuito comercial e o público caracteriza-se como consumidor/comprador.
Assim o artista reduz-se a um produtor que cria em nome da lei da oferta e da
procura.
As
consequências do consumo desmesurado na arte são visíveis a olho nu, quantas
vezes não se ouviram falar no preço exorbitante de um "Rothko" ou de
um "Picasso"? Pressupõe-se que por pertencer a um determinado artista
ou por ser reconhecida através de certos padrões estéticos, a obra tem um certo
valor, valor que só a elite económica consegue alcançar. Infere-se que a arte
não é para todos, só para quem tem poder de compra para tal. À arte que se
apresenta a preços acessíveis à classe média, que não pertence a grandes
artistas e que é considerada medíocre na perspectiva da estética de vanguarda,
não se atribui grande importância, em muitos casos é classificada de “produto
cultural”.
Não
importa a origem nem como circula, em qualquer um dos casos abordados a arte é
vista como um produto e isto resulta da sociedade consumista em que vivemos. Esta
perspectiva da arte como mera mercadoria absorve o conteúdo da obra artística, visto que o poder comercial a diminui a um simples
objecto.