Grande parte das obras de ficção científica
baseia-se na sua previsão do futuro e esse é o ingrediente que faz com que este
género literário possua um tão grande número de seguidores. É natural ao
ser humano antecipar o desconhecido. A ficção científica ocupa assim o vazio do
nosso desconhecimento, daquilo que está por vir.
Reflectindo sobre a ciência do mundo
real, o autor aliado a uma grande imaginação especula sobre o futuro e
principalmente sobres as consequências de determinadas descobertas científicas,
ou de determinados usos de métodos científicos. Ao extrapolar os pressupostos
científicos, o autor chegar a conclusões curiosas. É por vezes difícil
distinguir na obra aquilo que realmente se baseia nas ciências duras e aquilo
que as ultrapassa.
Curiosamente, há casos em que o
processo de inspiração é inverso, sendo a ficção científica a inspirar certos
cientistas, ou a desafia-los na procura de determinas respostas ou até mesmo a
antecipar determinadas respostas. A inspiração artística coloca novas questões
ao desenvolvimento científico. Ao fornecer uma nova visão a problemas clássicos
da ciência, o autor abre novos mundos ao cientista. Dando novas bases de
estudo e novos pontos de partida para antigos problemas. São disso exemplo, as
obras de Jules Verne, onde o autor propõe novos objectos como o submarino ou o taser. Os pormenores das suas descrições
parecem reportar para objectos que existem na realidade.
Desde sempre a literatura, a arte escrita, respondeu aos problemas que
a ciência sua contemporânea colocava.Durante a ameaça nuclear em plena Guerra
Fria, multiplicavam-se os monstros nas páginas dos livros de ficção
científica.
Existe uma espécie de ciclo da vida
das histórias de ficção científica. Começa com o nascimento de uma descoberta científica,
da qual evolui para a novas especulações e teorias acerca da mesma. É criado um
imaginário popular em volta destas ideias de ficção que são destruídas com uma
nova descoberta científica que prove a sua impossibilidade. Depois desta
descoberta é criada novamente uma teoria em volta dela, e assim o ciclo
continua. É uma desvantagem que este género sofre, pois é sempre possível
através das descobertas científicas catalogar este saber ou estas especulações,
e rapidamente torna-las desactualizadas.
Estaríamos a menosprezar este género
literário ao afirmar ser apenas capaz de inspirar e prever a ciência. Há também
um contexto sociopolítico nas obras de ficção científica interessante de
estudar. A maioria das obras de ficção científica critica o objecto científico
e o cientista. O cientista é descrito muitas vezes como demente, pois ousa
tentar alcançar aquilo que apenas aos deuses diz respeito, uma espécie de
complexo de Prometeu. Na maioria das obras de ficção científica, o cientista
aparece como um perpetuador do pecado original. A curiosidade é punida,
aparecendo como um pecado. Mas não só o cientista é descrito como uma criatura
abjecta também a sua criação, um ser que viola a natureza, é representado quase
sempre como uma criatura inumana que sofre a pior das dores e acaba
invariavelmente por custar a vida ao seu criador. Isaac Asimov chama a isso, o
complexo de Frankenstein, pois para Asimov o monstro de Frankenstein teria sido
provavelmente o primeiro robô verdadeiro na literatura, ainda que
totalmente orgânico.
Bibliografia
JAMES,
Edward, MENDLESOHN, Farah. The Cambridge
Companion To Science Fiction, Cambridge University Press, 2003
MILNE, Ira
Mark. Literary Movements For Students, Gale,
2009