Actualmente, a experiência virtual tornou-se fulcral enquanto meio de nos ligar ao mundo em que vivemos. Olhamos à nossa volta e onde quer que estejamos, somos constantemente bombardeados com marketing, ilusão de escolha e de poder baseado no material.
Todos sabemos que nada se iguala a respirar a tão refrescante brisa matinal; a sentir o verdadeiro sabor de uma refeição caseira daquela deliciosa receita de família; ao sentir o calor do abraço de alguém que amamos e nos ama de volta. Ainda assim, todas estas coisas requerem "esforços" que o computador e a televisão não pedem, tais como levantarmo-nos do sofá onde estavamos tão confortavelmente a vegetar enquanto o nosso cérebro cumpria a sua tão habitual função de receptáculo de informação inútil vinda daquela caixinha mágica no centro da sala - e das nossas vidas. Contentamo-nos com a sucessão repetida de anúncios e programas, enquanto devoramos o nosso jantarinho take-away com os olhos postos na televisão.
Gostaria de deixar claro que a minha intenção não é unicamente criticar de forma negativa a experiência virtual; reconheço as suas potencialidades e pontos positivos. Exemplifico com o cinema, que de outra forma não seria possível de experienciar senão através da tecnologia. A comunicação a longa distância também é outra consequência impossível de ignorar, mantendo-nos próximos de quem outrora se encontrava a centenas de milhares de quilómetros de distância. Aproxima-nos pela partilha de experiências e ideias, aprendemos a apreciar as nossas igualdades e a respeitar as nossas diferenças.
A utilidade dos meios de comunicação é de escala monstruosa, penso que todos temos essa noção. Mas, tal como tudo o que pode ser muito bom, pode também ser utilizado das piores formas, e é aqui que se encontra o grande problema. Infelizmente, o ser humano altamente inteligente nem sempre vive dos melhores valores nem intenções, utilizando os meios de comunicação para seu próprio proveito. Aproveita-se dos seus conhecimentos científicos acerca da mente humana, brincando e manipulando a mesma.
A dependência da sociedade face à experiência virtual é cada vez mais óbvia e gritante. Fará isto parte da evolução? Deveremos aceitar e viver por estas condições ou, por outro lado, será urgente algum tipo de revolta espiritual?
Pois eu cá acredito que o melhor é começarmos a informarmo-nos e a mexermo-nos.
E rápido.
