terça-feira, 26 de novembro de 2013

Quem sou eu?

Uma pergunta que parece ser simples por se referir a nós mesmos, aparentemente teriamos que saber responder,

Então vamos tentar decifrar o conceito de identidade.
Podemos começar por observar que a identidade não é muito mais do que a descrição de um personagem de uma história, um personagem com uma vida criada por um autor e encaixado num enredo. Mas seremos nós um personagem na vida real? Não seremos antes o autor dessa história? Na realidade somos todos autores e personagens desta história a que chamamos de vida, nós mesmos damos o rumo ao nosso “personagem”, e ao mesmo tempo vamos vivendo os acontecimentos. Mas isto chega para sabermos quem somos? É verdade que somos nós quem comandamos o nosso “personagem”, mas quem somos nós propriamente? Sabemos que não somos apenas o que queremos ser, não rumamos o nosso ser totalmente, algo nos fez ser como somos, vamos ver um pequeno exemplo da semente, a semente contém dentro de si o começo de uma planta, essa planta virá a desenvolver-se e dos seus frutos virão novas sementes. Ser semente não é só ser a pequena “casca”, nem sequer ser a “casca” com a pequena planta lá dentro, é ser isso, a planta e os frutos que vai originar, ela é múltiplas coisas num só, uma unidade múltipla, a sua existência não se baseia numa pequena coisa,  pois dentro dela já existe mais do que isso,  se ela fosse só a pequena “caspa” ela não seria uma semente. Tal como a semente, a nossa identidade implica um desenvolvimento, é progressiva e continua, ao contrário da semente não estamos destinados a vir a ser algo, não nascemos para sermos políticos ou criminosos, podemos vir a sê-lo mas não estaria relacionado com algo pré determinado mas sim com o desenvolvimento da nossa identidade, pois a nossa identidade está permanentemente em mudança. O que somos hoje está relacionado com o que ontem aconteceu, durante a nossa vida vamos adquirindo coisas que nos vão transformando, não é necessáriamente negativo, não é como um assalto que nos fez desacreditar nas pessoas, pode ser só o ir a um café, ou virar uma esquina, tudo que vamos adquirindo faz parte da nossa identidade, resumindo nós somos o que somos neste momento, o que adquirimos de experiências passadas e o que está em aberto no futuro.

“Identidade é movimento, é desenvolvimento do concreto, Identidade é metamorfose.
É sermos o Um e o Outro, para que cheguemos a ser Um, numa infindável transformação.”
(Ciampa, Identidade)