Então
vamos tentar decifrar o conceito de identidade.
Podemos
começar por observar que a identidade não é muito mais do que a descrição de um
personagem de uma história, um personagem com uma vida criada por um autor e
encaixado num enredo. Mas seremos nós um personagem na vida real? Não seremos
antes o autor dessa história? Na realidade somos todos autores e personagens
desta história a que chamamos de vida, nós mesmos damos o rumo ao nosso
“personagem”, e ao mesmo tempo vamos vivendo os acontecimentos. Mas isto chega
para sabermos quem somos? É verdade que somos nós quem comandamos o nosso
“personagem”, mas quem somos nós propriamente? Sabemos que não somos apenas o
que queremos ser, não rumamos o nosso ser totalmente, algo nos fez ser como
somos, vamos ver um pequeno exemplo da semente, a semente contém dentro de si o
começo de uma planta, essa planta virá a desenvolver-se e dos seus frutos virão
novas sementes. Ser semente não é só ser a pequena “casca”, nem sequer ser a
“casca” com a pequena planta lá dentro, é ser isso, a planta e os frutos que vai
originar, ela é múltiplas coisas num só, uma unidade múltipla, a sua existência
não se baseia numa pequena coisa, pois
dentro dela já existe mais do que isso,
se ela fosse só a pequena “caspa” ela não seria uma semente. Tal como a
semente, a nossa identidade implica um desenvolvimento, é progressiva e
continua, ao contrário da semente não estamos destinados a vir a ser algo, não
nascemos para sermos políticos ou criminosos, podemos vir a sê-lo mas não
estaria relacionado com algo pré determinado mas sim com o desenvolvimento da
nossa identidade, pois a nossa identidade está permanentemente em mudança. O que somos
hoje está relacionado com o que ontem aconteceu, durante a nossa vida vamos
adquirindo coisas que nos vão transformando, não é necessáriamente negativo, não
é como um assalto que nos fez desacreditar nas pessoas, pode ser só o ir a um
café, ou virar uma esquina, tudo que vamos adquirindo faz parte da nossa
identidade, resumindo nós somos o que
somos neste momento, o que adquirimos de experiências passadas e o que está em
aberto no futuro.
“Identidade
é movimento, é desenvolvimento do concreto, Identidade é metamorfose.
É sermos
o Um e o Outro, para que cheguemos a ser Um, numa infindável transformação.”
(Ciampa, Identidade)