domingo, 24 de novembro de 2013

Manipulação de mentes através da Indústria Cultural


A sociedade contemporânea pensa ter atingido nas últimos décadas um total de liberdade nunca antes conseguido. Pensamos ter liberdade de escolha e sobretudo de pensamento. Pensamos que sem um regime autoritário que dita mentalidades e comportamentos como os vários que houve durante séculos somos livres de pensar, fazer e ser aquilo que queremos mais do que alguma vez a humanidade foi. Infelizmente não poderíamos estar mais enganados.
Subtilmente, somos a todo o instante observados e manipulados pela indústria cultural. Essa manipulação é de tal forma subtil que é até difícil acreditar que nos deixamos enganar tão facilmente, e poderemos inicialmente ficar um pouco ou tanto relutantes com esta ideia tão evasiva de que nem liberdade de escolha possuímos. A verdade, é que se tivermos atenção somos capazes de reparar que todos os produtos que consumimos são apenas distinguidos por pequenas diferenças, diferenças estas que são cruciais para perpetuar a ilusão de possibilidade de escolha que todos achamos ser um dado adquirido quase por natureza. Tudo isto não passa duma manipulação inteligente duma sociedade em que os dominados vivem sob o poder dos dominantes, sem talvez sequer saber a que lado da equação pertencem. Tal só é possível por sermos constantemente distraídos por uma indústria de entretenimento que nos dá esta sensação que se somos livres de escolher, quando a escolha já foi feita por nós. Pertencemos a esta sociedade alienada de si mesma, sem a menor consciência do que se passa dentro no interior do seu núcleo. Talvez já tenhamos tido uma pequena ideia da manipulação que nos é feita através da propaganda de produtos, porque no fundo até parece fazer sentido que a Indústria queira atrair consumidores seja de que maneira for. Mas será que já pensámos como as restantes indústrias nos distorcem o pensamento?  
Talvez para muitos ainda não seja visível a forma como todas as vias de comunicação servem como veiculo de condução à mentalidade que os dominantes pretendem atribuir aos dominados. Seja pela distorção de factos dada pelos noticiários ou pelo conteúdo genérico aplicável a toda uma sociedade que as novelas e filmes apresentam, somos cuidadosamente e subtilmente conduzidos à ideologia e moralização que os dominantes pensam ser a apropriada ou desejada. Talvez inconscientemente tenhamos um pouco consciência disto, porque afinal, todos nós já notámos o quão previsível se tornou o entretenimento que nos é dado pela indústria. Todavia permanecemos estáticos e apáticos, consumindo todo este entretenimento cuidadosamente planeado, sem notar que o fim pretendido com esta manipulação já está intrinsecamente penetrado em cada um de nós. Talvez tal aconteça por ser mais difícil revoltarmos -nos contra uma indústria tão poderosa do que simplesmente deixarmos -nos manipular. É que estes produtos são tão cuidadosamente planeados que a forma de os apreendermos torna impossível toda uma actividade intelectual que consequentemente torna mais simples a forma como iremos absorver os objectos que a indústria cultural seleccionou cuidadosamente para modificar subtilmente a nossa maneira de pensar e agir.
Resta a questão, será que se todos os membros da sociedade tivessem inteira consciência de que com esta funciona e da forma como somos enganados e manipulados a cada instante, conduzidos a uma ideologia preparada genericamente para nós, continuaríamos a apreciar da mesma maneira de todos aqueles pequenos prazeres como ir ao cinema ou comprar uma camisola? Ou será que iríamos ficar tão repugnados pela forma como somos manipulados que tentaríamos quebrar toda esta concepção?