sábado, 23 de novembro de 2013

Analizando conceitos modernos no seu contexto, elegi o nacionalismo reflectido por antropólogos e estudiosos do nosso tempo, as ideias partilhadas na história da comunicação, as propagandas nacionalistas no tempo da estética futurista e toda a sua relação com o “mundo máquina” moderno, e de que maneira nos condiciona presentemente. Benedict Anderson é o autor em que me sustenho e que estuda o nacionalismo. Afirmando o surgimento progressivo destes grupos ou comunidades imaginadas no seguimento dos movimentos associados a Karl Marx, introduz-se a sua abordagem ao termo “ideologia” como uma falsa consciência; não sendo a consciência determinante da vida, mas a vida determinante da consciência. Abordar “ideologia” pode ser abordar a “falsa consciência”. A globalização idealizada por muito tempo está longe de auferir. O nacionalismo é intrínseco na nossa política contemporânea. A evolução dos seguidores de Marx e das suas teorias liberalistas não teoriza o insucesso do sintoma nacionalista, menosprezando-o. A interrogação de Marx relativa ao ajuste de contas do proletariado com a “sua” burguesia (sendo “sua” a burguesia respectiva a uma nação) leva-nos novamente a esta fissura cultural moderna. Outra questão fulcral referente à repartição “sua burguesia” remete-nos para a sua relação com a produção nacional e com a sua industria (cultural e não cultural). A divisão do trabalho, a linha de montagem e o pensamento capitalista são factores contribuintes de sentimentos nacionalistas progressivamente intrínsecos com o passar do tempo e com a banalização do mítico e do artístico passando a objecto do capital e a ideais superiores (o cinema já não precisava de ser arte, ele era uma industria autónoma que gerava capital), que eram para ser seguidos pela classe trabalhadora, a classe “oprimida”. É de carácter essencial para Anderson interpretar a falácia do nacionalismo. Para isto recorremos à sua origem, à sua significação periódica e à sua afluência. No séc. XVIII, época das luzes e do positivismo (na qual a razão prevalecia) vários factores culturais e históricos deram origem a este ideal, conceito e novo modo de vida. As teorizações que abordavam o adjectivo acima referido, argumentaram esmagadoramente, paradoxos como, a posição objectiva dos historiadores relativamente à modernidade, em oposição, à subjectividade dos nacionalistas alusiva à antiguidade; a nacionalidade enquanto identidade, em oposição, às suas limitações e as proporções tomadas pelo factor nacional, em oposição, à sua fraca teorização. Não existem pensadores estruturantes ou que sustentam este surgimento. Este “ismo”. Por conseguinte os “sofos” não delineiam territórios; ou não limitam ideologias. Assim, o nacionalismo tem um carácter comparável a algo que surge num dado momento, num dado mundo; análogo à religião. “O nacionalismo não é o despertar das consciência das nações: ele inventa nações onde elas não existem” (cita Ernest Gellner). Existem associações importantes enunciadas por Gellner: nacionalismo, fabricação e falsidade versus imaginação e criação. As comunidades devem, por isso, ser caracterizadas pelo modo como são imaginadas e não pela sua autenticidade. Contextualmente, e em paralelo o iluminismo destruiu o mítico e o divino presente no reino dinástico hierárquico. O estado soberano era encarado como o libertador; “um desenvolvimento nacional”. Por isto, tantas pessoas desejaram morrer por este ideal que era inerente ao nosso imaginário. Referência: Anderson, Benedict (2005). Comunidades imaginadas: Reflexões sobre a origem e a expansão do Nacionalismo. Lisboa: Edições 70, pp. 22-27.