“O trabalhador torna-se mais pobre quanto mais riqueza produz, quanto mais a sua produção aumenta em poder e extensão.”
Em “O Trabalho Alienado” de Karl Marx, esta é uma das ideias
essenciais que nos leva a entender o domínio do desenvolvimento sobre o próprio
ser humano.
Com o forte aumento da industrialização o homem adaptou-se a
este aumento de produção, deixou de ser o artista ou artesão e passou a fazer
parte de um processo, tornou-se apenas mais uma “peça” num conjunto de
mecanismos que levam à realização de algo.
O valor das coisas aumentou em proporção à desvalorização do
homem e de quem as produz, o trabalhador tornou-se a mercadoria , que quanto
mais produz, mais barata e desvalorizada fica.
O homem trabalha pois essa é uma necessidade na sua vida
enquanto ser humano, mas o capitalismo levou o homem a perder o controlo da sua
própria vida, tornou-se um objecto
desvalorizado, apanhado a meio de um processo, sem importância alguma. O homem
tornou-se o escravo do próprio objecto que produz, esta apropriação do objecto
manifesta-se como alienação na medida em que quanto mais produzir, menos possui
realmente.
Todo este poder que gera, acaba por se opor a ele próprio,
retira-lhe a liberdade, é uma força hostil e antagónica.
Relacionei este tema a um filme que revi recentemente,
“Tempos Modernos” de Charles Chaplin. É um filme que retrata exactamente esta
questão da alienação do trabalho,
de uma forma satírica.
Vi este filme pela primeira vez quando era bastante mais
nova, e toda a critica social e forte condenação que Charles Chaplin faz à
sociedade passou-me completamente ao lado, mas depois de abordar mais
profundamente este assunto e revendo o filme recentemente fez me ver o
principal objectivo do filme.
A personagem Charlot trabalha numa fábrica, onde realiza a
mesma função milhares de vezes durante o dia, que se repetem por vários meses,
anos....
O trabalho é tão desmotivante e repetitivo, que acaba por
levar Charlot à loucura, acabando por não ver mais nada a frente. O filme pretende mostrar que o homem
está a virar máquina, e que esta está cada vez mais ligada a ele, está a perder
a sua essência em detrimento de um objecto, de algo que não é seu, que apenas
produz.
Excerto do filme "Modern Times" de Charles Chaplin