domingo, 24 de novembro de 2013

Tempos Modernos

“O trabalhador torna-se mais pobre quanto mais riqueza produz, quanto mais a sua produção aumenta em poder e extensão.”

Em “O Trabalho Alienado” de Karl Marx, esta é uma das ideias essenciais que nos leva a entender o domínio do desenvolvimento sobre o próprio ser humano.
Com o forte aumento da industrialização o homem adaptou-se a este aumento de produção, deixou de ser o artista ou artesão e passou a fazer parte de um processo, tornou-se apenas mais uma “peça” num conjunto de mecanismos que levam à realização de algo.
O valor das coisas aumentou em proporção à desvalorização do homem e de quem as produz, o trabalhador tornou-se a mercadoria , que quanto mais produz, mais barata e desvalorizada fica. 
O homem trabalha pois essa é uma necessidade na sua vida enquanto ser humano, mas o capitalismo levou o homem a perder o controlo da sua própria vida,  tornou-se um objecto desvalorizado, apanhado a meio de um processo, sem importância alguma. O homem tornou-se o escravo do próprio objecto que produz, esta apropriação do objecto manifesta-se como alienação na medida em que quanto mais produzir, menos possui realmente.
Todo este poder que gera, acaba por se opor a ele próprio, retira-lhe a liberdade, é uma força hostil e antagónica.

Relacionei este tema a um filme que revi recentemente, “Tempos Modernos” de Charles Chaplin. É um filme que retrata exactamente esta questão da alienação do  trabalho, de uma forma satírica.
Vi este filme pela primeira vez quando era bastante mais nova, e toda a critica social e forte condenação que Charles Chaplin faz à sociedade passou-me completamente ao lado, mas depois de abordar mais profundamente este assunto e revendo o filme recentemente fez me ver o principal objectivo do filme.
A personagem Charlot trabalha numa fábrica, onde realiza a mesma função milhares de vezes durante o dia, que se repetem por vários meses, anos....

O trabalho é tão desmotivante e repetitivo, que acaba por levar Charlot à loucura, acabando por não ver mais nada a frente.  O filme pretende mostrar que o homem está a virar máquina, e que esta está cada vez mais ligada a ele, está a perder a sua essência em detrimento de um objecto, de algo que não é seu, que apenas produz.



Excerto do filme "Modern Times" de Charles Chaplin