(...)"Nós somos o que somos e não o que quereríamos ser; não te parece? Tens de me aceitar como eu sou visto que só assim eu creio que me possam ter amor."Florbela Espanca vem introduzir esta reflexão que apresento, pois esta era uma desajustada, de alma inteira, incompreendida na sociedade portuguesa da sua época. Mas não vou divagar.
O assunto que pretendo explorar, parte do desentusiasmo da própria experiência, a homossexualidade, e a forma como os "Portuguesinhos" generalizando (embora não considere justas estas generalizações) a enfrentam.
De novo, vou tentar não dispersar os meus pensamentos; talvez uns nasçam homo outros heterossexuais, talvez alguns factores ao longo do crescimento e desenvolvimento pessoal nos tornem uma coisa ou outra, não o sei. A verdade é que não é uma escolha, pois não me parece que uma criança (que ainda não sabe nada sobre si própria) que desde novo se manifesta diferente dos outros, queira ou tenha qualquer prazer em ouvir as pessoas à sua volta, adultos e sobretudo outras crianças, apelida-lo de todos os derivados perversos da palavra homossexual ou até mesmo ser fisicamente maltratado.
Aqui entra o termos ideologia, como Althusser defendeu, como tudo o que diz respeito ao sujeito, o que é especifico de cada individuo, e ainda, arriscando ser um pouco tautológico, a ideologia interpreta cada individuo como um sujeito separado, com gostos, escolhas e por exemplo, orientações sexuais diferentes. Esta é a força da ideologia, que nos torna sujeitos separados do mundo , mesmo integrados nele.
Assim informo os mais cépticos, aqueles que homossexuais são, não o fazem de propósito, não é uma escolha, é algo tão natural como a heterossexualidade.
Para modos de conclusão cito Simone Beauvoir (ícone do feminismo):
"I wish that every human life might be pure, transparent freedom"É altura de nos educarmos enquanto sociedade para receber com agrado (ou no mínimo com indiferença) as diferenças dos outros, sejam de que ordem forem, pois asseguro que o desconforto de não ser realmente o que se é, é uma estranha forma de vida, que acaba por nem ser vida não é verdade?