segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Fotografia: o seu uso e significado

"... é certo que o ato fotográfico tem como componente necessário a impressão de uma imagem sobre uma superficie sensível. A imagem, que logo se poderá tratar, que será possível de retocar, deformar, alterar, mas sem lograr jamais produzir, salvo por defeito ou metáfora, o equivalente de um esboço ou de um esquema. A fotografia conhece o borrado, o movido, à diferença da pintura e do desenho, ignora o esboço, o croqui, mas não há falhas" (Hubert Damishc, 2007)


A fotografia no seu berço, ofuscou a pintura, pois foi descoberta uma fórmula científica de registo de uma imagem, o que está lá é o que aparece, sem hipótese de engano, muito diferente da pintura. Até por vezes certos pormenores que não vemos nem ligamos, agora aparecem na fotografia.
Também com o aparecimento da fotografia começaram a ser retratadas todo o tipo de pessoas, pessoas anónimas pois era um meio mais barato do que a pintura; enquanto que até agora só podiam ser retratadas, as classes mais altas, por meio da pintura, com a fotografia, foi dado este direito a classes mais baixas.



Pessoalmente, penso o porquê de dar tanta importância à fotografia-retrato, porquê que gostamos tanto de ser retratados e apreciar as nossas representações? A fotografia é efémera, embora as pessoas não sejam, esta representação parece trazer algum conforto, pois é deixado um registo fotográfico que dura mais do que a própria vida, parece que nos deixa viver para sempre, sermos falados, admirados no futuro, analisadas as nossas características, através de uma fotografia, um instante captado, há pouco ou muito tempo, mas que pára no tempo e recorda um momento. 

Por isso, mantemos conosco fotografias de entes queridos que já faleceram. Olhamos para elas recordamos momentos, choramos. Prendemo-nos às imagens como se elas fossem o que representam, atribuímo-lhes inúmeros significados e memórias, mas elas são só isso, imagens, não são os significados nem as coisas.