Marx apresenta, nesse texto, uma definição de homem como um ser genérico, como um ser indissociável da sua espécie, mas também como um ser capaz de reconhecer as restantes espécies e de produzir como elas. Diz-nos que “o homem reproduz toda a natureza.”
Hoje em dia, quando nos deparamos com esta ideia do que é o Homem, percebemos facilmente que há nela potencialidades que foram esquecidas – salvo as habituais excepções que confirmam a regra. O Homem separou-se da espécie e vive em função de si próprio. Ainda produz para ela, mas espera com isso causar dependência do objecto que cria – e, claro, ter algum benefício com isso.
No limite, pode dizer-se que atribuímos já uma nova categoria, quase um cargo, àqueles que criam livremente, os “artistas”.
O mais assustador é, ainda assim, apercebermo-nos que esta atitude que nasceu de uma necessidade, uma prática de sobrevivência (como Marx identifica no seu texto), se tornou um hábito – mais que isso, é já parte da nossa herança cultural.
Referências:
Marx, Karl (1993) 'O Trabalho Alienado' In Manuscritos Económico Filosóficos. Lisboa: Ed. 70