domingo, 24 de novembro de 2013

Homem

Ao ler o texto Trabalho Alienado, de Karl Marx, dei conta de que a alienação de que fala foi levada bem mais longe, no decurso do tempo.
Marx apresenta, nesse texto, uma definição de homem como um ser genérico, como um ser indissociável da sua espécie, mas também como um ser capaz de reconhecer as restantes espécies e de produzir como elas. Diz-nos que “o homem reproduz toda a natureza.”
Hoje em dia, quando nos deparamos com esta ideia do que é o Homem, percebemos facilmente que há nela potencialidades que foram esquecidas – salvo as habituais excepções que confirmam a regra. O Homem separou-se da espécie e vive em função de si próprio. Ainda produz para ela, mas espera com isso causar dependência do objecto que cria – e, claro, ter algum benefício com isso.
No limite, pode dizer-se que atribuímos já uma nova categoria, quase um cargo, àqueles que criam livremente, os “artistas”.
O mais assustador é, ainda assim, apercebermo-nos que esta atitude que nasceu de uma necessidade, uma prática de sobrevivência (como Marx identifica no seu texto), se tornou um hábito – mais que isso, é já parte da nossa herança cultural.


Referências:
Marx, Karl (1993) 'O Trabalho Alienado' In Manuscritos Económico Filosóficos. Lisboa: Ed. 70