Ferdinand de Saussure, na sua
obra Curso de Linguística Geral,
publicada postumamente em 1916, defende que para produzir uma fala é necessário
um conjunto de regras, que ele designa de língua.
Quando falamos, podemos falar o
que quisermos, desde que sejam palavras previstas na língua. Não se pode, portanto, inventar palavras porque nesse caso
a comunicação não será possível. Assim pode-se concluir que a língua condiciona a maneira como
pensamos.
Curiosamente, em 1937 numa
conversa designada de “Craftsmanship” emitida num programa de rádio, a Virginia
Woolf também reflete sobre as novas palavras e a língua, dizendo:“…Hoje em dia é suficientemente fácil
inventar novas palavras - elas brotam dos lábios
sempre que vemos uma nova visão ou sentimos uma
nova sensação - mas não podemos
usá-las porque o Inglês é uma língua antiga. Não se pode usar uma nova palavra numa língua antiga pela razão muito óbvia, mas sempre misteriosa,
da palavra não ser uma entidade
singular e independente,
mas fazer parte de outras palavras.
Na verdade, não é uma palavra enquanto não fizer parte de uma frase. As palavras pertencem uma às outras…Para combinar palavras novas
com velhas palavras é fatal para a constituição da frase…”
Não podendo inventar palavras,
estamos restringidos às que já existem. Isto faz com que de modo geral, a
estrutura da língua balize as nossas ideias. Assim sendo, pensamos a partir da
língua. Mas será isto uma verdade absoluta? Ou será como a Virginia Woolf sugere,
haverá mais nas nossas ideias do que o que podemos expressar pela linguagem?