sexta-feira, 22 de novembro de 2013

A língua e o pensamento



Ferdinand de Saussure, na sua obra Curso de Linguística Geral, publicada postumamente em 1916, defende que para produzir uma fala é necessário um conjunto de regras, que ele designa de língua.
Quando falamos, podemos falar o que quisermos, desde que sejam palavras previstas na língua. Não se pode, portanto, inventar palavras porque nesse caso a comunicação não será possível. Assim pode-se concluir que a língua condiciona a maneira como pensamos.

Curiosamente, em 1937 numa conversa designada de “Craftsmanship” emitida num programa de rádio, a Virginia Woolf também reflete sobre as novas palavras e a língua, dizendo:“…Hoje em dia é suficientemente fácil inventar novas palavras - elas brotam dos lábios sempre que vemos uma nova visão ou sentimos uma nova sensação - mas não podemos usá-las porque o Inglês é uma língua antiga. Não se pode usar uma nova palavra numa língua antiga pela razão muito óbvia, mas sempre misteriosa, da palavra não ser uma entidade singular e independente, mas fazer parte de outras palavras. Na verdade, não é uma palavra enquanto não fizer parte de uma frase. As palavras pertencem uma às outras…Para combinar palavras novas com velhas palavras é fatal para a constituição da frase…”

Não podendo inventar palavras, estamos restringidos às que já existem. Isto faz com que de modo geral, a estrutura da língua balize as nossas ideias. Assim sendo, pensamos a partir da língua. Mas será isto uma verdade absoluta? Ou será como a Virginia Woolf sugere, haverá mais nas nossas ideias do que o que podemos expressar pela linguagem?