Assombrado pelas problemáticas das sequelas, prequelas e remakes,
grande parte do cinema que se produz acrescenta gradualmente ao que não é mais
do que o resultado da cultura de massas e das facilidades de reprodução. Será
relevante mencionar aqui que o empobrecimento da imaginação nesta arte é também
ela um resultado da massificação e do consumo desenfreado. Desde cedo na
chamada sétima arte se passou pela cultura do refazer, da influência explícita
ou até da cópia descarada a que alguns denominam como homenagem. Numa indústria
dominada pelas grandes produções norte americanas, com orçamentos que
ultrapassam largamente a escala da maioria das produções independentes, não
será de espantar que grande parte do seu cinema não passe disso mesmo. A título
exemplar, Vanilla Sky(2001), aclamado filme do director Cameron Crowe não é
mais que um remake do filme Open Your Eyes(1997), do director Alejandro Amenábar,
em si este facto não será nada de novo, como já foi mencionado, esta é uma
prática corrente neste meio. Será de espantar, no entanto, que a personagem
secundária mais relevante no filme, tanto num como no outro, seja interpretada exactamente
pela mesma actriz.(1) Por outro lado, personagens fictícias como Sherlock
Holmes de Sir Arthur Conan Doyle ou a mítica personagem de Drácula do escritor Bram
Stoker, foram adaptadas e introduzidas ao longo do tempo em cerca de 287 e 330
produções diferentes, respectivamente. É claro que paralelamente a fenómeno
existe o chamado cinema de culto, inovador e criativo, desprendendo-se do banal
, mas este é um modelo de nicho. Se retirarmos ao bolo que constitui o cinema
aqueles filmes que ou são remakes ou são transições de livros para o ecrã ou
adaptações de novelas gráficas ou qualquer outra variante de produção escrita
ou gráfica, reparamos que com quase nada ficamos de original, se é que ficamos
com alguma coisa. Talvez seja por esse motivo que a esses chamem cinema de
culto, enquanto que aos outros reste o seu antónimo. De qualquer forma é simples
ver como grande parte das ideias defendiadas por Adorno e Horkheimer em ‘A Indústria Cultural’, aqui
encaixam, bem como a complexidade da reprodutibilidade técnica defendida por
Walter Benjamin. Desde a ideia da atrofia da imaginação passando pelas falsas
novidades e falsas diferenças, os esquemas de produção que prevêem o consumo, o estilo como estereótipo ou até mesmo a ideia do Kitsch.
(1)Talvez exista alguma relação com a produção que justifique que a mesma actriz desempenhe exactamente o mesmo papel nas duas produções, mas é para todos os efeitos irrelevante nesta dissertação.