domingo, 24 de novembro de 2013

Sequelas, prequelas e remakes

Assombrado pelas problemáticas das sequelas, prequelas  e remakes, grande parte do cinema que se produz acrescenta gradualmente ao que não é mais do que o resultado da cultura de massas e das facilidades de reprodução. Será relevante mencionar aqui que o empobrecimento da imaginação nesta arte é também ela um resultado da massificação e do consumo desenfreado. Desde cedo na chamada sétima arte se passou pela cultura do refazer, da influência explícita ou até da cópia descarada a que alguns denominam como homenagem. Numa indústria dominada pelas grandes produções norte americanas, com orçamentos que ultrapassam largamente a escala da maioria das produções independentes, não será de espantar que grande parte do seu cinema não passe disso mesmo. A título exemplar, Vanilla Sky(2001), aclamado filme do director Cameron Crowe não é mais que um remake do filme Open Your Eyes(1997), do director Alejandro Amenábar, em si este facto não será nada de novo, como já foi mencionado, esta é uma prática corrente neste meio. Será de espantar, no entanto, que a personagem secundária mais relevante no filme, tanto num como no outro, seja interpretada exactamente pela mesma actriz.(1) Por outro lado, personagens fictícias como Sherlock Holmes de Sir Arthur Conan Doyle ou a mítica personagem de Drácula do escritor Bram Stoker, foram adaptadas e introduzidas ao longo do tempo em cerca de 287 e 330 produções diferentes, respectivamente. É claro que paralelamente a fenómeno existe o chamado cinema de culto, inovador e criativo, desprendendo-se do banal , mas este é um modelo de nicho. Se retirarmos ao bolo que constitui o cinema aqueles filmes que ou são remakes ou são transições de livros para o ecrã ou adaptações de novelas gráficas ou qualquer outra variante de produção escrita ou gráfica, reparamos que com quase nada ficamos de original, se é que ficamos com alguma coisa. Talvez seja por esse motivo que a esses chamem cinema de culto, enquanto que aos outros reste o seu antónimo. De qualquer forma é simples ver como grande parte das ideias defendiadas por Adorno e  Horkheimer em ‘A Indústria Cultural’, aqui encaixam, bem como a complexidade da reprodutibilidade técnica defendida por Walter Benjamin. Desde a ideia da atrofia da imaginação passando pelas falsas novidades e falsas diferenças, os esquemas de produção que prevêem o consumo, o estilo como estereótipo ou até mesmo a ideia do Kitsch.



(1)Talvez exista alguma relação com a produção que justifique que a mesma actriz desempenhe exactamente o mesmo papel nas duas produções, mas é para todos os efeitos irrelevante nesta dissertação.