Todos os humanos nascem numa
‘’máquina’’ sócio-económica que gira à volta do dinheiro. Poderíamos criticar
severamente este modo de vida e especular acerca de um mundo ideal, no entanto,
a realidade é esta, e, se mudar, não será amanhã. Por isso, é necessário
aceitá-la e saber lidar com ela o melhor que conseguirmos.
Todos alinhamos neste ‘’jogo’’ ou
‘’máquina’’, pois todos precisamos incondicionalmente de coisas tão essenciais
como casa, roupa, comida (mesmo que queiramos produzir a nossa própria comida, precisamos
de um terreno, que como tudo, tem de ser comprado e teremos de pagar um imposto
por possuí-lo), etc.
Sendo assim, é impossível escapar
deste ‘’jogo obrigatório’’, cuja chave do sucesso, é trabalhar.
Mas agora pergunta-se: o que é
trabalho? Será apenas algo aborrecido e desgastante, que se faz durante a
semana para ganhar dinheiro e para se falar mal do patrão pelas costas? Uma atividade
mecânica e rotineira? Completamente à parte de quem a executa? Para muitos tem
sido sempre assim. Trabalho trata-se muitas vezes de gastar tempo de vida útil
em tarefas que em nada satisfazem o trabalhador e em nada compensam esse tempo
gasto pelo mesmo, pelo contrário, como afirma Karl Marx, leva à des-reslização do
trabalhador.
Em vez de eu dizer ‘’ando à
procura de trabalho’’, talvez fosse melhor já ter começado a fazer, de facto, o
‘’meu trabalho’’, já que estar constantemente à espera que uma entidade (o
Estado ou outra) me arranje algo para eu fazer é muito limitativo, apesar de
ser também uma opção válida.
Trabalho é importantíssimo, não
se deve tratar então de ter necessariamente um grande percurso escolar e ir à
procura de ‘’uma tarefa qualquer’’ perfeitamente executada por outra pessoa
qualquer (por vezes, até por um robot), trabalho é, na verdade, uma questão de
fazer algo em que se é realmente bom e se gosta, trata-se de dar mais e melhor
ao outro, porque ao dar mais, o trabalhador receberá e tornar-se-á mais, como
humano.