segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Ideologia na Comunicação

  Uma "antagonia" de pensamentos desenrolou-se enquanto mergulhava  em Louis Althusser. Usamos, de facto, linguagens estranhas um para o outro, nunca divergindo muito do seu significado. Tentarei condensar neste texto parcelas do que anda, há algum tempo, navegando no meu aquário.
  Procurarei usar uma linguagem "suficientemente concreta para ser reconhecida mas suficientemente abstracta para ser pensável e pensada dando origem a um conhecimento". Na realidade, o símbolo aquário, partindo de uma "obviedade primária" (concreta e conhecida por todos) conferi, metaforicamente falando, a ideologia do sujeito (eu), possibilitando uma abrangência na sua apreensão. No entanto, estou sempre a guiar o leitor nesta viagem.
  "O Tao que pode ser expressado, não é o Tao absoluto", sendo o Tao o indizível (a rejeição ao Logos, à razão). Aqui não há tolerância a qualquer tipo de ideologia, uma vez que o Tao é a realidade unitária, o Tao é Tudo, simplesmente é. Conseguiríamos alguma vez incorporar tudo nos nossos pensamentos, palavras e actos? Os taoistas procuram viver esse estado uno - uma renúncia à interpretação (sempre imperfeita e incompleta) da realidade -  semelhante ao momento em que, abrindo de repente os olhos, o nosso cérebro ainda não analisou o que está a ver, ainda não distinguiu as cores e as formas. Nós, contrariamente, parcelamos o Todo, não nos conseguindo desligar da nossa experiência individual; experiência essa que nos leva a deduzir as nossas conclusões ideológicas.
  Assim, ao limitar um conceito à sua "obviedade primária" o leitor/observador integra-o na sua percepção enquanto verdade, reconhecendo-o em vez de tomar conhecimento desse reconhecimento, ou seja, o leitor/observador saltou a etapa crucial em termos ideológicos: acredita que o seu reconhecimento é conhecimento.
  A consciência da limitação desta dualidade reconhecimento/conhecimento na mente humana levou à criação de Aparelhos Ideológicos que definem o modo como esta apreende os conceitos.
  Infelizmente esta realidade está presente desde o início da vida em sociedade.
  Althusser defende que os Aparelhos Ideológicos de Estado designam realidades que se apresentam na forma de instituições distintas e especializadas (AIE religiosos, AIE escolar, AIE familiar, AIE jurídico, AIE político, AIE sindical, AIE cultural, AIE de informação).
  Podemos afirmar que no passado o número dos Aparelhos Ideológicos de Estado era maior sendo a Igreja o dominante (concentrando funções religiosas, escolares, de informação e de cultura). Hoje em dia atrevemo-nos a nomear o Aparelho Ideológico de Estado escolar como seu substituto, estabelecido pela burguesia comerciante. São raros os professores que se posicionam contra este sistema; contrariamente, aplicam todo o seu esforço na execução do trabalho que esse Aparelho exige deles, não questionando a própria devoção que alimenta essa representação ideológica da escola que a faz tão "indispensável" e "certa" (tal como era a Igreja antigamente).

  Será, na realidade, necessária a existência de um Aparelho Ideológico que estabeleça uma base ideológica em que as pessoas comuniquem garantindo a previsibilidade das nossas palavras e actos? Ou será que a auto-determinação humana consegue estabelecer as bases de comunicação necessárias à evolução da vida em sociedade?