Actualmente, vivemos
numa sociedade caracterizada pelo consumismo, que, supostamente, nos aproximaria
da desejada felicidade mas que na verdade só nos traz comodidade, alienação e
até frustração, afastando-nos ironicamente do que procuramos.
Principalmente isto se
deve aos media, e, em consequência, aos hábitos daqueles que nos rodeiam. O ser
humano tem vivenciado um mundo em que os meios de comunicação têm divulgado e implantado
nas suas mentes a ideia da felicidade comprada. Isto é feito com inúmeras
artimanhas, das quais posso citar a utilização da sexualidade, da imagem de
alguém famoso utilizando certo produto ou a exibição de uma pessoa poderosa
obtendo um item que lhe traz mais “felicidade”. Da dificuldade de preencher o
seu vazio interior os homens deixam-se assim manipular e procuram preencher o
que é espiritual com bens superficiais. Mesmo os indivíduos que inicialmente
resistem diretamente a este ataque dos media acabam, na sua maioria, a serem
levados a adquirir um comportamento consumista pelo convívio com os demais,
pois estes fazem, até sem se aperceberem, constante pressão psicológica para
que os dissidentes percam o seu comportamento individual e adquiram o comportamento
da massa – exemplo disto é a descriminação daqueles que se vestem de uma forma
fora dos parâmetros da maioria ou o impulso que um jovem sente de comprar a
consola de última geração para poder acompanhar os amigos.
Infelizmente a omnipotência e a omnipresença dos media uniformiza os
homens, determinando o que se come, onde se vive, como nos devemos divertir, o
que devemos trajar, o que se ler e em que se acreditar. As
pessoas não procuram, pelo menos fulcralmente, o seu bem-estar no convívio real
com os outros, na procura de conhecimento, no contacto com a natureza ou na sua
própria elevação como ser humano, em vez disso, pensam que vão encontrar a felicidade
numa consola, comprando roupa da moda ou ridiculamente num carro que atinge
os 300 km/h quando vivemos num país em que a velocidade máxima permitida são os
120 km/h.
Nunca nos sentiremos
preenchidos, a insatisfação faz parte da natureza do homem, mas poderíamos satisfazer-nos um pouco mais se começássemos a pensar por nos próprios e se nos
focássemos em bens espirituais e não na procura da felicidade em bens
materiais.