Um elemento
característico da sociedade moderna (em países desenvolvidos) é o da
indústria cultural, que afecta várias (se não todas) as áreas da nossa
vivência. Esta indústria cultural é-nos imposta à nascença, e influencia
o nosso comportamento e os nossos desejos (e os de todos os outros à
nossa volta), sendo considerada como tão básica como o nosso direito à
educação e à saude. Aliás, o que nos distancia de países menos
desenvolvidos é a facilidade com a qual podemos aceder a filmes, livros,
exposições, etc.
A (considerada) personalidade de uma pessoa está intrinsicamente ligada e baseada aos seus gostos culturais, desde a escolha de roupa que usa ao que ouve no seu iPod.
A componente aparentemente positiva desta abundância cultural é a sua grande panóplia variada, permitindo assim a cada sujeito determinar aquilo que quer ouvir e ver. A ilusão do gosto pessoal está enraizada na nossa consciência, e sentimos que, ao optarmos por certos objectos culturais, estamos a definir a nossa individualidade. É claro que nenhum homem é uma ilha, como dizia Donne, e que somos influenciados por tudo e todos à nossa volta, e assim esta individualidade é sempre distorcida pela nossa experiência. Mas o problema da industria cultural é o facto de esta ser, antes de mais nada, um negócio, baseado no lucro. Por esta razão, o que ela nos oferece não costuma estar baseado no seu valor de utilidade ou artístico, mas na sua capacidade de vender. Isto é, então, uma desculpa para a falta de qualidade de muitos objectos a que somos expostos. Os próprios criadores das obras culturais não se preocupam com o valor destas, desejando apenas atingir um certo público e agradá-lo, assim vendendo mais. Pela sua natureza, a produção em massa da sociedade capitalista visa a apelar a uma audiência vasta e, assim, tanto as classes mais altas como as mais baixas são vítimas desta. A industria cultural é mais uma maneira de categorizar os seus cidadãos, propondo algo para todos os gostos. Dependendo do seu “nível”, o indivíduo escolhe o carro mais caro ou o livro mais prestigiado, não só pelo prazer pessoal que ele recebe do objecto, mas principalmente pela imagem que este vai deixar sobre si para os outros. Esta indústria rouba os indivíduos da sua capacidade de imaginação, oferecendo a possibilidade de pensar por eles, e homogenizando a população.
“A sociedade baseada na produção é apenas produtiva, não criativa.” – Albert Camus
A (considerada) personalidade de uma pessoa está intrinsicamente ligada e baseada aos seus gostos culturais, desde a escolha de roupa que usa ao que ouve no seu iPod.
A componente aparentemente positiva desta abundância cultural é a sua grande panóplia variada, permitindo assim a cada sujeito determinar aquilo que quer ouvir e ver. A ilusão do gosto pessoal está enraizada na nossa consciência, e sentimos que, ao optarmos por certos objectos culturais, estamos a definir a nossa individualidade. É claro que nenhum homem é uma ilha, como dizia Donne, e que somos influenciados por tudo e todos à nossa volta, e assim esta individualidade é sempre distorcida pela nossa experiência. Mas o problema da industria cultural é o facto de esta ser, antes de mais nada, um negócio, baseado no lucro. Por esta razão, o que ela nos oferece não costuma estar baseado no seu valor de utilidade ou artístico, mas na sua capacidade de vender. Isto é, então, uma desculpa para a falta de qualidade de muitos objectos a que somos expostos. Os próprios criadores das obras culturais não se preocupam com o valor destas, desejando apenas atingir um certo público e agradá-lo, assim vendendo mais. Pela sua natureza, a produção em massa da sociedade capitalista visa a apelar a uma audiência vasta e, assim, tanto as classes mais altas como as mais baixas são vítimas desta. A industria cultural é mais uma maneira de categorizar os seus cidadãos, propondo algo para todos os gostos. Dependendo do seu “nível”, o indivíduo escolhe o carro mais caro ou o livro mais prestigiado, não só pelo prazer pessoal que ele recebe do objecto, mas principalmente pela imagem que este vai deixar sobre si para os outros. Esta indústria rouba os indivíduos da sua capacidade de imaginação, oferecendo a possibilidade de pensar por eles, e homogenizando a população.
“A sociedade baseada na produção é apenas produtiva, não criativa.” – Albert Camus
Baseado em: '‘A Indústria Cultural: o iluminismo como mistificação das massas’' de Max Horkheimer e Theodor Adorno (1986)