segunda-feira, 25 de novembro de 2013

choose life

Cada vez mais a procura de objectos materiais como forma de atingir realização pessoal torna-se evidente. Somos constantemente bombardeados com propostas visuais que de alguma forma nos dizem como é que os produtos que consumimos nos definem. Esta forma de vida moderna definida por produtos vem se relacionar com o conceito de fetichismo da mercadoria de Karl Marx. 

A palavra fetiche tem origem no latim Facticius, "artificial, fictício", e define-se como um objecto material ao qual se atribuem poderes mágicos ou sobrenaturais, positivos ou negativos, tendo inicialmente sido usado o termo associado a objectos de culto religioso dos negros da África Ocidental.
   
A sedução feita pelos produtos da-se através da publicidade, transmitindo uma imagem com a qual o consumidor se procura definir. Esta imagem está quase sempre associada a conquistas sexuais, monetárias ou de fama. A compra do telemóvel topo de gama que na verdade o principal propósito é o mesmo de qualquer telemóvel banal é um exemplo de como estas perspectivas são transmitidas. O mesmo acontece com carros, relógios, perfumes e uma infinidade de outros produtos.
    
O assustador deste culto dos objectos é que é impossível viver no mundo actual ignorando a força que têm sobre nós. Somos constantemente obrigados a consumir para alem das nossas necessidades básicas subvertendo os valores de uso por valores ilusórios e não existe forma de escapar a tal fenómeno.
    
De forma a ilustrar esta publicação acrescento ainda um excerto do filme trainspotting que demonstra a forma como somos sobrecarregados com escolhas sem um verdadeiro propósito intrínseco à nossa sobrevivência como ser humano.