domingo, 24 de novembro de 2013

A previsibilidade do cinema



O cinema, existente há practicamente um século, tem hoje um significado duplo. Por um lado é uma das artes mais importantes na história da humanidade, já que consegue representar um momento passado, a nível visual e auditivo, tornando-o eterno e multiplicável; por outro lado é o produto de uma das maiores indústrias mundiais. 

Apesar de ao início ser encarada como uma técnica artística, esse elemento da arte foi se a pouco e pouco perdendo, dando lugar à sua industria produtora em massa. O cinema começou a ser encarado como uma forma de entretenimento e escapismo do quotidiado, e a sua produção a ser cada vez mais dirigida ao espectador. Graças ao aumento da indústria, e à crescente facilidade de se criar um filme, gerou-se uma explosão cinematográfica, de filmes criados para serem best-sellers, utilizando sempre essencialmente aquilo que apelava ao público: uma storyline simples, com os naturais clichês das dualidades entre o bem e o mal, e um já aguardado fim feliz.

Esta utilização de simples clichês deve-se pela criação de um objecto para as massas, com o objectivo de satisfazer o maior número de pessoas possível. O facto de a indústria se assumir, não como uma forma de arte, mas sim de simples entretenimento também provoca que o nível de desenvolvimento crítico dos filmes diminua. Entertenimento, na nossa cultura ocidental, significa conforto, algo agradável que nos permita desfrutar do tempo livre que temos, incluindo pouco esforço intelectual.