O cinema, existente há practicamente um século, tem hoje um
significado duplo. Por um lado é uma das artes mais importantes na história da
humanidade, já que consegue representar um momento passado, a nível visual e auditivo,
tornando-o eterno e multiplicável; por outro lado é o produto de uma das
maiores indústrias mundiais.
Apesar de ao início ser encarada como uma técnica artística,
esse elemento da arte foi se a pouco e pouco perdendo, dando lugar à sua
industria produtora em massa. O cinema começou a ser encarado como uma forma de
entretenimento e escapismo do quotidiado, e a sua produção a ser cada vez mais
dirigida ao espectador. Graças ao aumento da indústria, e à crescente
facilidade de se criar um filme, gerou-se uma explosão cinematográfica, de
filmes criados para serem best-sellers, utilizando sempre essencialmente aquilo
que apelava ao público: uma storyline simples, com os naturais clichês das
dualidades entre o bem e o mal, e um já aguardado fim feliz.
Esta utilização de simples clichês deve-se pela criação de
um objecto para as massas, com o objectivo de satisfazer o maior número de
pessoas possível. O facto de a indústria se assumir, não como uma forma de
arte, mas sim de simples entretenimento também provoca que o nível de desenvolvimento
crítico dos filmes diminua. Entertenimento, na nossa cultura ocidental,
significa conforto, algo agradável que nos permita desfrutar do tempo livre que
temos, incluindo pouco esforço intelectual.