domingo, 24 de novembro de 2013

Ilusões ciberneticas


     Desde de há uns meses para cá, foram várias as vezes que me disseram “Olha só esse telemóvel, não consegues fazer nada com isso, tens de comprar um novo, um smartphone em condições.” Na minha perspectiva quando dizem, “não consegues fazer nada com isso” referem-se ao facto de não poder instalar qualquer aplicação que exista no mercado, desde do Facebook ao Instagram, passando pelo Candy Crush. Na verdade já não existe qualquer actualização para este telemóvel há uns anos. Numa tentativa de não me deixar vencer por estas tecnologias todas, penso que o meu telemóvel serve para o essencial: fazer chamadas, mandar mensagens e ouvir música - algo que faço com frequência de forma a me refugiar por uns minutos, de tudo o que se passa em meu redor. Se quero algo mais, uso o computador, essencialmente à noite, quando estou em casa, é para isso que serve.

    É irónico: a minha área de estudo obriga-me a estar informada sobre todas as novidades na era das tecnologias, mas ao mesmo tempo, sinto que não me devo render por completo a tudo o que existe por aí. Até porque a maioria do que existe, não passa de coisas inúteis que para nada servem a não ser desperdiçar o tempo de uma pessoa. Não preciso de estar constantemente on-line a ver as notificações a cada minuto que passa. Recuso-me a ser daquelas pessoas que vai a um encontro para conviver pessoalmente e mesmo assim continua a estar agarrada ao telemóvel. E irrita-me quando estou numa conversa com alguém, e essa pessoa diz-me “espera um minuto, deixa-me só responder a esta sms" (fútil). Por vezes acontece também ver um grupo de amigos num café a “socializar”. Com socializar quero dizer, cada um agarrado a um dispositivo móvel entretido com coisas insignificantes, ao invés de dar atenção à pessoa do lado. Não sei mas acho triste e preocupante...
     O indivíduo de hoje tem uma necessidade cega de saber tudo, quando na verdade não sabe de nada. De ter tudo quando no final nada é. Penso que o ser humano vive numa época de desorientação, no qual não sabe ao que dar prioridade, seguindo apenas as ordens e protótipos contagiantes dos media que rapidamente são espalhados pelo mundo cibernético. Vejo nas pessoas uma necessidade constante de se manterem em contacto com toda a gente a toda a hora.

     O ser humano foi criado para se conectar. Estudos dizem que em média uma pessoa diz cerca de 15 mil palavras por dia, são enviados cerca de 300 biliões de e-mails diários e19 biliões de mensagens de texto e publicados 2 milhões de posts. São números que têm crescido drasticamente ao longo dos anos. É algo que supera todas as expectativas e está a ficar fora de controlo. Mesmo assim, há quem se sinta sozinho. Distante. Talvez todas estas formas de comunicação sejam um absurdo. Muitas delas talvez sirvam apenas para criar uma ilusão de proximidade e conforto. Mera ilusão (ou não).