domingo, 24 de novembro de 2013

A nossa vida predeterminada

A linguagem é a forma mais clara que os indivíduos utilizam para comunicar entre si. Mas existem também certos comportamentos-padrão que nos são incutidos quando crescemos, que nos permitem relacionarmo-nos com um grupo de pessoas. Gestos como um aperto de mão, cumprimentar as pessoas com beijinhos, bater palmas, acenar com a mão para dizer adeus, ou até esticar o braço para chamar o autocarro, são naturais em nós, automáticos. Usualmente não reflectimos sobre qual a melhor maneira de cumprimentar uma pessoa, ou como chamar o autocarro.

Mas tal como estes gestos nos foram incutidos, outros um pouco mais complexos também foram. E não só gestos, como também formas de pensar. As crianças são educadas pelos pais de forma a serem bem vistas pelos outros, serem bem educadas e simpáticas, mesmo quando isso é o contrário da sua vontade. Então, as crianças ao adaptarem-se ao mundo à sua volta, não conseguem manter a sua essência na totalidade. E, à medida que crescem, vão-se habituando a comportar-se como a maioria das pessoas, pois não querem ser repreendidas ou consideradas “estranhas”.


Por exemplo, um indivíduo que não tenciona estudar pois não é isso que o motiva, e prefere antes estar em contacto com outro tipo de coisas, é visto como ignorante. O senso comum da sociedade considera que esta atitude é errada, pois ele deveria ir para a escola e de seguida para a faculdade como as pessoas “normais”. Um indivíduo homossexual esconde o seu verdadeiro eu, criando assim uma “máscara” de si mesmo, que mostra ao mundo, enquanto não assume a sua orientação. Essa máscara pode vir a ser fatal para ele, pode criar uma verdadeira crise de identidade em si. Tudo isto porque a sociedade diz: vai para a escola, trabalha, ganha dinheiro, tem uma vida normal. Desde que nascemos que a sociedade nos diz isto, e isso faz com que a nossa vida já esteja estipulada, de acordo com a sociedade em que nos encontramos e outros factores com a família.


Se não nos atrevermos a sair das regras, a nossa vida será assim, a que nos foi pré-concebida. Mas ao mesmo tempo que a sociedade nos mete estes preconceitos na cabeça, diz nos que cada indivíduo é único e livre de fazer as suas escolhas. Mas na prática não é. A sociedade não está preparada para aceitar que as pessoas sigam o seu próprio caminho. Se o senso comum se continuar a comportar desta forma, a concretização que as pessoas sentem será cada vez menor.