O modo como se experiencia a cultura sofreu grandes
alterações. Hoje em dia já não se precisa do aqui e do agora para se
chegar à cultura, ou seja, não é necessária a deslocação do ser vivo para
adquirir conhecimento.
Não é necessário sair
de casa para conhecer um artista. Virtualmente, na internet, pode-se pesquisar
e ver toda a sua obra, tudo à distância de um clique. Contudo a experiência
directa é a única convivência real; ver uma obra de arte num livro ou na internet
é muito diferente de a ver ao vivo, em que se partilha o tempo e o espaço com o
objecto em questão, existe uma experiência de aqui e agora.
Nos dias de hoje o
corpo deixou de ser o veículo para chegar ao conhecimento, a tecnologia veio
substituir a experiência real, mas será que esta substituição nos permite
realmente chegar à cultura?
Talvez seja apenas
uma ilusão pois, se só quando nos deparamos ao vivo com uma pintura é que a
sentimos em plenitude e as moléculas do corpo convivem no presente com as
moléculas do objecto, então talvez seja necessário fazer uma diferenciação
entre os vários tipos de cultura. No mundo da arte - pintura, escultura,
arquitectura - acredito que seja necessário estar fisicamente presente no mesmo
espaço da obra para a conhecer inteiramente.